Membros da Comissão sobre Cannabis da Beckley Foundation apresentaram no Rio o livro "Política sobre Maconha: avançando além do Impasse", no qual afirmam que a proibição à maconha não tem evitado o aumento do consumo mundial. Os pesquisadores propõem um regime controlado, como forma mais eficaz de controlar o consumo e evitar os danos sociais da guerra contra as drogas.
À medida que aumenta o consenso de que o modelo proibicionista fracassou no seu objetivo de erradicar as drogas da face da terra, cresce a incerteza sobre o passo seguinte que se deve dar para lidar com as drogas. O pesquisador Steve Rolles, da fundação Transform, do Reino Unido, responde a essa questão com uma proposta abrangente de regulação do mercado de drogas.
A ativista pelos direitos civis Deborah Peterson Small, ex-diretora legislativa do Sindicato de Liberdades Civis da Cidade de Nova York, vem estudando este fenômeno há alguns anos e concluiu que a chamada guerra contra as drogas oferece aos governos a desculpa perfeita para exercer controle social sobre certos grupos populacionais: pobres, minorias étnicas, jovens e imigrantes, entre outros.
As pandillas se multiplicam nos Estados Unidos e na Europa como alternativa para emigrante jovem. O acadêmico mexicano Juan Carlos Narváez desenvolve uma visão crítica do assunto em seu livro "Rota transnacional: de São Salvador a Los Angeles".
O modelo de Justiça Juvenil do estado do Missouri revolucionou o sistema de detenção juvenil nos EUA. Menos dispendioso e violento que a carceragem tradicional, o modelo também reduz significativamente taxa de reincidência e inspira iniciativas semelhantes em vários estados dos EUA. À frente desta mudança, está Mark Steward.
"Um desastre que se perpetua e se expande constantemente" é como um policial com 26 anos de experiência define a guerra às drgas. "Ela penaliza os desprivilegiados, gera violência, empurra as pessoas para o desemprego e provoca mortes desnecessárias. Jack Cole tomou uma posição: é cofundador da Law Enforcement Against Proibition, organização que reúne policiais que são contra a proibição das drogas mostrando que cada vez menos profissionais da segurança pública estão dispostos a ficar calados sobre seus equívocos.
Com a participação de cerca de mil ativistas na Conferência Internacional sobre a Reforma da Política de Drogas, realizada no Novo México, EUA, diversas experiências ao redor do mundo se articulam como parte de algo maior: um movimento internacional que exige uma política justa e eficiente para lidar com as drogas psicoactivas.
Um recente projeto de lei apresentado no Congresso dos EUA quer acabar com a disparidade penal entre sentenças para o crack e cocaína, que enviou centenas de jovens ao cárcere. Agora que os índices de violência caíram e que o preço do crack também despencou, o uso da droga ainda está associado a violência? Quais são os danos sociais deste derivado da cocaína?
É só uma questão de tempo antes que a maconha seja tributada, controlada e regulamentada nos Estados Unidos. A tragédia é que dezenas de bilhões de dólares continuarão a ser desperdiçados e milhões de pessoas presas e prejudicadas pelas leis de drogas.
O ex-ministro da Defesa da Colômbia responsável pela desarticulação do cartel de Medelín, um ex-policial norte-americano infiltrado em gangues de narcotraficantes e um ex-policial inglês que encontrou maneiras mais eficientes de lidar contra o crime gerado por dependentes problemáticos, ofereceram suas visões do tema de violência e narcotráfico na segunda reunião da Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia.