Caravana Comunidade Segura converge pluralidades em Salvador
Cerca de 40 pessoas, entre líderes religiosos católicos, espíritas e evangélicas, líderes comunitários, representantes de ONGs, movimentos sociais, do Disque-Denúncia, do Ministério Público e da Secretaria de Segurança da Bahia, reuniram-se na tarde de segunda-feira, 24 de julho, na sede da Cese (Coordenadoria Ecumênica de Serviço), no Centro de Salvador, para discutir segurança pública e buscar soluções que integrem a sociedade civil, as igrejas e as forças policiais.
A reunião fez parte da Caravana Comunidade Segura, que começou dia 13 de julho, em Londrina, Paraná, e termina em agosto, em Porto Alegre, após passar por diversas capitais brasileiras, disseminando os debates sobre segurança cidadã e desarmamento.
Para o coordenador de Religião e Paz do Viva Rio, André Porto, o que mais chamou atenção nas oficinas realizadas em Salvador foi a pluralidade representativa e a profundidade das discussões. “Os relatos de experiências locais foram muito interessantes, e mostrou o quanto os participantes estão bem preparados para discutir a questão da segurança. Atingimos um dos principais objetivos da Caravana, que é o de juntar as pessoas”, disse Porto. O evento teve cobertura da TV Globo, Rádio Band e do jornal A Tarde, o maior da Bahia.
Na tarde de quarta-feira, dia 25 de julho, os representantes da Caravana foram recebidos pelo governador da Bahia em exercício, Heraldo Tinoco (na foto, no centro), pelo diretor da Academia de Polícia Militar do estado, Coronel Jorge Melo, e pelo comandante geral da PM, Coronel Antonio Jorge Ribeiro de Santana. Eles receberam a cartilha “Segurança Pública e Desenvolvimento Institucional da Polícia”, que defende maior participação da sociedade na definição e execução de políticas para a área, e o documento com as propostas do seminário “A polícia que queremos”, promovido pela PM do Rio de Janeiro entre os dias 18 e 20 de julho.
O comandante geral da PM, Coronel Antonio Jorge Ribeiro de Santana (na foto, à esquerda), mostrou-se interessado em realizar, na PM baiana, um processo de consulta cidadã que culmine num seminário voltado para a melhoria da polícia, similar ao realizado no Rio. Esta iniciativa deverá ser realizada através de uma parceria entre o Fórum Comunitário de Combate à Violência, o Movimento Estado da Paz, formado por jornalistas ativistas e a PM. Já o diretor da Academia de Polícia Militar, Coronel Jorge Melo (à direita), interessou-se em replicar o Curso de Aprimoramento da Prática Policial Cidadã, que o Viva Rio oferece há quatro anos a policiais do Rio de Janeiro. A idéia é adaptar o material pedagógico produzido pela ONG carioca ao contexto baiano.
Outra iniciativa que agradou as autoridades policiais locais foi o Prêmio Polícia Cidadã, apresentado por Beatriz Silva Cruz, da ONG paulista Sou da Paz. O prêmio destaca policiais que desenvolveram boas práticas, sob o ponto de vista da comunidade.
“O mais importante dos encontros que tivemos em Salvador foi a abertura de diversas possibilidades de parcerias entre a PM e a sociedade”, avaliou a antropóloga Haydee Caruso, do Viva Rio.
Em Londrina, manifestação pela paz anunciou passagem da Caravana
A passagem da Caravana Comunidade Segura pela cidade paranaense de Londrina foi marcada pela participação popular. No intervalo das oficinas de trabalho, na hora do almoço, uma manifestação pública numa praça da cidade reuniu crianças, adolescentes e adultos que, portando placas, formaram um painel defendendo o desarmamento e a paz. "Representantes de religiões e movimentos sociais transmitiram ao público sua mensagem de paz e um enorme balão foi levantado para comunicar ao povo de Londrina a mensagem da Caravana", conta Clemir Fernandes, do Viva Rio. Segundo ele, o apoio local do Conselho Latino Americano de Igrejas - Setor Brasil, do Comitê Londrina pelo Desarmamento, da Rede Desarma Brasil e da ONG Londrina Pazeando foram fundamentais para êxito do início da Caravana, que teve ampla cobertura dos meios de comunicação locais.
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