Conhecido pelo alto índice de crimes violentos, o município de Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais, começa a mudar esse estigma. Num futuro próximo, a cidade poderá se transformar num exemplo de vitória da paz, graças a um projeto dedicado ao resgate de adolescentes em situação de risco e ao apoio às suas famílias.

O projeto Meninos pela Paz supre o tempo ocioso dos jovens – quando eles ficam mais vulneráveis ao crime e às drogas – com atividades lúdicas e aulas variadas, como xadrez, dança, teatro e educação ambiental, de saúde e para o trânsito. A iniciativa é fruto de uma parceria entre a igreja matriz da cidade (Paróquia Nossa Senhora das Neves), a Polícia Militar local (40º Batalhão), a Fundação Guimarães Rosa, as empresas públicas Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais) e Transneves (de Transporte e tráfego) e as secretarias municipais de Saúde, Educação, Esportes e Ação Social. Entre os profissionais atuantes estão enfermeiros, pedagogos e psicólogos.
Iniciado em Fevereiro, o projeto já começa a apresentar resultados. De acordo com o cabo-enfermeiro Joselito Rezende Alves, o primeiro semestre foi muito positivo. “Relatos de adolescentes e seus familiares mostram que a violência entre pais e filhos diminuiu. O índice de aprovação na escola aumentou e houve melhoras significativas de comportamento nas escolas e em locais públicos”, informa. Ele atribui esse resultado à formação social, espiritual e cidadã oferecida pelo projeto, que deriva de um piloto implantado com sucesso na vizinha Betim, contemplando 300 crianças e adolescentes.
Já o trabalho com as famílias é feito por técnicos do Programa de Atenção Integral à Família (Paif). Os especialistas visitam os lares dos adolescentes e conhecem seus pais ou responsáveis. Em alguns casos, estes são encaminhados a empregos, assessoria jurídica ou outras necessidades específicas.
Segundo cabo Joselito, ajustes no projeto Meninos pela Paz serão feitos à medida que problemas forem identificados. Um exemplo de ponto a melhorar é o provimento do transporte para os adolescentes irem até o projeto no turno da tarde, quando o ônibus da Secretaria de Educação não está disponível. Em breve, o projeto oferecerá também aulas de vôlei e natação – atividades sugeridas pelos próprios meninos e meninas, nas reuniões com seus instrutores voluntários. “O importante é que eles tenham mais tempo perto de quem traz cultura. A violência se afasta se não encontra oportunidade”, conclui.
A polícia com os jovens, não contra eles
Cabo Joselito faz parte de um grupo de policiais promotores da filosofia e da prática do policiamento comunitário na cidade. A maior integração dos jovens com a PM é outro ponto positivo destacado por ele: “Os jovens estão percebendo que a polícia está com eles, e não contra eles. Hoje notamos mais confiança mútua entre a polícia e a comunidade.”
Apesar do movimento em defesa da polícia comunitária, cabo Joselito ainda sente resistência à idéia na corporação. “As polícias comunitária e repressiva não vivem uma sem a outra, mas é preciso haver mais da comunitária, e hoje o que se vê é o inverso”, afirma.
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Comentários
projeto Meninos pela Paz
Gostaria de obter maiores informações sobre o projeto. Gostaria de conhecer melhor as atividades voltadas a educação ambiental.... Onde obtenho essas informações?
Obrigada,
Magda.
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