Polícia e sociedade mais próximos

ENTREVISTA / ANTÔNIO CARLOS CARBALLO BLANCO

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A ênfase na relação entre polícia e sociedade sempre foi um diferencial na trajetória profissional do tenente-coronel Antônio Carlos Carballo Blanco, novo comandante do 2° Batalhão de Polícia Militar do Rio de Janeiro, em Botafogo. Há uma década, ele coordenou a implantação e comandou o 1º Grupamento de Policiamento em Áreas Especiais (GPAE). Mas as trocas de governos e os retrocessos nas políticas de segurança pública prejudicaram alguns projetos desse oficial que tem mais de 25 anos de polícia, é formado em direito e sociologia e ocupou diversos cargos de chefia na PMERJ e na área de segurança pública do governo do estado.

Nos últimos anos, Carballo esteve lotado em funções administrativas, "aguardando movimentação e função", como explicou em seu blog. Mas agora ele volta a ter papel fundamental na segurança pública do Rio de Janeiro, fortalecendo o programa das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), que considera “o aperfeiçoamento do conceito desenvolvido pelo GPAE”.

Empossado no Batalhão de Botafogo em cerimônia realizada em 15 de janeiro, o policial foi prestigiado por oficiais e praças, renomados pesquisadores de segurança pública, articuladores de ONGs, líderes comunitários e até por membros de um clube de motoqueiros.

Satisfeita com a nomeação, a socióloga Paula Poncioni disse esperar que o novo comandante possa cumprir com seu dever de policial responsável, idôneo, crítico e comprometido com a sociedade. “O Carballo tem esse perfil de busca de uma relação entre a polícia e a sociedade”, destacou.

Para a antropóloga Jacqueline Muniz, Carballo é “um grande profissional de polícia”, além de ser um parceiro de ideias, projetos, sucessos e fracassos.

“Espero que ele possa experimentar transformações, pondo em prática o conhecimento adquirido por ele dentro e fora do Brasil ao longo da sua trajetória profissional. Carballo representa uma mudança na segurança pública que veio para ficar, de uma visão solidária, transparente e participativa. A sua posse é a sinalização de que tudo isso é possível”, comemorou.

Jacqueline acrescentou que dar a Carballo o posto de Comandante do 2° Batalhão, em Botafogo, perto do morro Santa Marta, fortalece programas de Unidades Pacificadoras da polícia. “Enfim, a PM pôs os pés no século XXI”, concluiu.

Carballo concedeu entrevista exclusiva ao Comunidade Segura.

Quais os seus planos para curto, médio e longo prazos?

Hoje, só tenho planos para curto prazo. Diante do grave problema de insegurança pública (sobretudo relacionado aos roubos de rua - roubos a traseunte, roubo de celular, roubo no interior de coletivos e roubo de veículos) que vem assolando sobremaneira a comunidade residente e flutuante que circula pelo espaço geográfico compreendido pela área de policiamentro do 2º BPM, é mais do que urgente estudar e aplicar medidas proativas de prevenção e de repressão qualificada para reduzir a níveis razoáveis a incidência dos referidos fenômenos criminais.

Nesse sentido, estamos empreendendo esforços para melhorar as condições de trabalho do policial e também com vistas ao desenvolvimento de três grandes eixos estratégicos operacionais: a otimização das ações de polícia ostensiva (com vistas a uma aplicação inteligente e diferenciada dos recursos humanos e logísticos disponíveis); o desenvolvimento e aplicação prática do conceito de sistema integrado de vigilância de bairros (com a participação efetiva da Guarda Municipal e de outros órgãos e instituições de interesse); e a criação e o desenvolvimento do conceito de câmaras setoriais de segurança.

O senhor é um defensor histórico do policiamento comunitário e comandou a implantação dos GPAEs. Qual a sua visão das UPPs? A filosofia é similar? Quais as diferenças?

A principal e fundamental diferença dos GPAEs (Grupamento de Policiamento em Áreas Especiais) para as UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora) é que desde o início às UPPs foram incorporadas às ações de governo como política pública de Estado, enquanto os GPAEs desde o início funcionaram como ações de governo ocasionalmente integradas sem que houvesse políticas públicas de Estado institucionalizadas.

A UPP é o aperfeiçoamento do conceito desenvolvido pelo GPAE e até mesmo do GAPE (idéia precursora de policiamento em favelas lançada e desenvolvida parcialmente pelo saudoso Coronel PM Carlos Magno Nazareth Cerqueira). Vale lembrar que, no início, a ação do GPAE viabilizou a implantação do Espaço Criança Esperança nas comunidades do Pavão-Pavãozinho e Cantagalo e serviu também como fonte inspiradora para a criação do GEPAR (Grupamento Especial de Policiamento em Áreas de Risco) da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais).

O que a sua posse como comandante desse importante batalhão significa no contexto da política de segurança pública do estado do Rio de Janeiro?

Sem medo de pecar por falta de humildade, penso que a nomeação para comandar o 2º Batalhão de Polícia Militar, no contexto da política de segurança pública do Rio de Janeiro, significa o reconhecimento do valor profissional conquistado com o conhecimento e a experiência acumulada ao longo de quase 26 anos de carreira. Particularmente, vivo um momento muito especial.

O que há de diferente nos perfis dos novos comandantes de batalhões? A população poderá perceber essas mudanças? Como?

Penso que eventuais mudanças no perfil dos novos comandantes ocorre sobretudo do fator cultural decorrente da passagem geracional. Penso que essas mudanças serão percebidas pela população na medida em que o padrão gerencial prime pela estratégia de resolução de problemas com participação social, transparência e prestação de contas.

O senhor é otimista sobre a segurança pública no Rio de Janeiro? Por quê?

Não sou otimista nem tampouco pessimista. Sou simplesmente realista. Penso que os Jogos Militares em 2011, a Copa das Confederações em 2013, a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas de 2016 são excelentes razões e oportunidades para a segurança pública receber o devido reconhecimento e valorização em face da sua destacada relevância social e a imprescindível alavancagem de investimentos que a população fluminense tanto demanda.

Contudo, além do necessário investimento financeiro para a melhoria das condições de trabalho dos policiais, infra-estrutura e serviços, é importante que a população também faça o seu dever de casa comportando-se efetivamente como cidadãos e os nossos políticos como verdadeiros gestores públicos atuando com bastante imunidade contra o vírus da vaidade segregadora ou do ganho fácil propiciado pela corrupção.

Comentários

Parabéns ao Comadante Geral

Parabéns ao Comadante Geral da PMERJ pela excelente escolha para o comando do 2° BPM. Não conheço o Cel. Carballo Blanco pessoalmente, mas desde que ingressei na polícia tenho acompanhado sua trajetória e, achava um grande desperdício que ele não estar a frente de uma unidade operacional, pois competência e conhecimento técnico não lhe faltam!
Parabéns Cel. Carballo!

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