Crise: financeira, alimentar e de segurança humana

FAO_food_price_indexBest.jpgEm 2007, os preços dos alimentos no mundo cresceram 24% e, como resultado, 75 milhões de pessoas – a maioria nos países em desenvolvimento – foram empurradas para a fome e a pobreza. De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), a crise dos alimentos de 2007 continuou em 2008. Em junho do ano passado, os preços alcançaram um patamar recorde, tendo aumentado 51% cumulativamente.

Revoltas relacionadas ao custo crescente dos alimentos de primeira necessidade em países como o Haiti, Bangladesh e Egito ameaçaram a segurança humana com violentos protestos civis. Por outro lado, ainda que os preços tenham baixado ligeiramente desde o pico de junho de 2008, milhões de pessoas estão enfrentando a fome crônica e sendo alçadas a uma situação econômica que pode alimentar ainda mais um incêndio já bastante severo.

De Wall Street para o mundo em desenvolvimento

Uma outra crise global tem ofuscado a crise alimentar: a financeira. Com todas as manchetes concentradas na crise financeira global e o seu efeito no mundo desenvolvido, menos atenção tem sido dada ao impacto da crise financeira no mundo em desenvolvimento.

A crise financeira global tem o “potencial de ser muito pior” que as crises econômicas anteriores por causa dos “altos preços e da escassez de alimentos, além da constante erosão de economias agrícolas e rurais”, adverte o Dr. He Changchui, diretor-geral assistente e representante regional para a Ásia e Pacífico da FAO.

Changchui afirma que, diferentemente da Grande Depressão dos anos 30, do Outubro Negro de 1987 e da crise asiática de 1997, a FAO declarou que a crise financeira atual se combina com uma crise alimentar – que poderia ser também exacerbada pelos efeitos da mudança climática na agricultura.

Changchui afirma que o resultado poderia ser “catastrófico”, especialmente se os principais financiadores do mundo desenvolvido cortarem a ajuda e assistência para combater a fome crônica, a pobreza e para avançar a agricultura no mundo em desenvolvimento.

A ONU estima que sejam necessários entre US$15 bilhões e US$20 bilhões para enfrentar a crise dos alimentos que afeta 923 milhões de pessoas subnutridas em todo o mundo. No entanto, somente algo entre US$1 bilhão e US$2 bilhões foram desembolsados até agora, já que as quantias de ajuda dos governos e agências financiadoras caíram devido à recessão econômica, escassez de crédito e ao fato de os governos estarem usando fundos para salvar bancos e indústrias domésticas.

A principal preocupação da FAO é o efeito de tudo isso sobre a segurança humana: fome e doenças podem se espalhar, ameaçando a vida de milhões de pessoas subnutridas, e agitações sociais e convulsões políticas advindas da escassez alimentar e da inflação poderiam causar distúrbios parecidos ou piores que os de 2008.

US$ 20 milhões farão a diferença?

Mesmo se governos e agências financiadoras milagrosamente encontrem uma maneira de alcançar a estimativa da ONU de US$20 bilhões, muitos especialistas permanecem céticos com relação a esse dinheiro poder solucionar o problema da inflação dos preços dos alimentos.

Mesmo que os preços tenham baixado, para muitos o preço da comida é muito maior do que se ganha e ainda maior do que os níveis de preço de um passado recente. Em países como o Haiti, Zimbábue e Bangladesh, o financiamento internacional pode ajudar apenas se a FAO e a comunidade internacional criarem juntos um plano para combater a inflação dos preços dos alimentos no mundo em desenvolvimento.

Como disse recentemente o diretor-geral da FAO, Jacques Diouf, “a não ser que a vontade política e os compromissos dos financiadores se convertam em uma ação real e imediata, milhões de outras pessoas poderão cair em uma pobreza e fome ainda mais profundas”.

Com tantos especialistas prevendo um aumento nos preços dos alimentos novamente – ainda esse ano – devido à falta de investimento na agricultura, trata-se de uma “receita para o desastre”.

Saiba mais:

Site da FAO (em inglês)

Comentários

Segurança Financeira no mundo...

Olá, existe algum tipo de dados atualizados, com relação aos paises que se encontram com suas populações seguradas financeiramente, por exemplo, Coréia do sul 97% da população tem seguro, Estados Unidos, 90 % e por aí em diante? Se souberem desses dados e puderem me informar fico muito agradecido.

Enviar novo comentário

O conteúdo deste campo é mantido privado e não será publicado.
CAPTCHA
Isso serve para verificar se você é um visitante de verdade e não um robô, evitando, assim, o envio automático de spam.
Image CAPTCHA
Copy the characters (respecting upper/lower case) from the image.