Bel Air: não tão violento quanto parece

DSC02015_0.JPGFalar de Bel Air, para alguns, é inevitavelmente fazer referência a uma população sobre e sobretudo violenta. Os eventos de 2004 legaram esta imagem negativa a esse bairro histórico do centro de Porto Príncipe, e tal imagem permanece, infelizmente, depois de mais de quatro anos desde que Bel Air se tornou a primeira zona problemática a escolher a paz. Todavia, os resultados do Censo Bel Air 2007 desmentem os preconceitos que consideram Bel Air uma localidade extremamente violenta.

O objetivo desta iniciativa é, entre outros, o de constituir uma base de dados sólida - para um conhecimento mais aprofundado sobre a população, e que oriente as ações e programas do Viva Rio, mas que também sirva de referência aos tomadores de decisão do país. Um conjunto de dados significativos foi coletado neste censo, notadamente sobre: consumo de água, urbanização, vitimização.

43% da população declara ter deixado Bel Air durante o período de violência coletiva que começou em 2004. Este número deixa claro o efeito devastador da violência política.

Todo o mercado informal da zona de Bel Air recebeu um duro golpe durante os distúrbios que sacudiram este bairro histórico do centro da cidade. Os pequenos comerciantes abandonaram o maior centro comercial - "Croix des Bossales". As lojas fecharam suas portas e milhões de dólares de prejuízos foram registrados. Esta situação se explica pelo fato de que se tinha uma percepção de um espaço público inseguro, como um lugar de risco em potencial. Essa realidade não é diferente nas grandes cidades da América Latina.

No entanto, a situação melhorou muito ao longo dos dois últimos anos. Lojas que fecharam suas portas voltaram a esse bairro dinâmico, à procura de progresso e desenvolvimento.

Hoje, Bel Air é uma vizinhança calma; está pronto, aliás, para receber turistas - segundo os responsáveis da Comissão Nacional de Desarmamento e de Reinserção (CNDRR) e da Africamérica: "Bel Air, a partir de agora, é um espaço pacificado que deve ser valorizado através do seu potencial criativo e cultural". É de fato nesse âmbito que se inscreve o projeto "Leve figi Bèlè", iniciado pela CNDDR e a Africamérica.

As violências coletivas de 2004 obrigaram várias centenas de crianças a abandonar o bairro. A maioria acabou nas ruas, para se tornarem em algum momento chefes de gangues. Seu número era de 13.500 crianças, com idade entre 0 e 19 anos.

Os conflitos entre os bairros quase não existem mais no local. Operações de integração permitiram a obtenção - até hoje - de resultados positivos: manifestações culturais, campeonato de futebol...  

Desde 2007, muitos meses se passaram sem que nenhuma morte violente fosse registrada no bairro. Os habitantes se conscientizaram que a paz favorece o progresso e contribui para a melhora das suas condições de vida. Comparado a certas favelas do Brasil, Bel Air é uma comunidade pacífica. Todavia, a vigilância é necessária, tendo em conta possíveis manipulações de alguns grupos vulneráveis: crianças e jovens.

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