Em nome da juventude, da paz e da solidariedade
Segundo o Novo Testamento, Jesus Cristo deixou aos homens mensagens de paz, amor ao próximo e solidariedade. A Caravana Comunidade Segura visitou instituições que trabalham com jovens e seguem ao pé da letra os ensinamentos daquele que inspira sua fé: fazer o bem sem olhar a quem.

No Rio de Janeiro, Padre Renato Chiera coordena a Casa do Menor São Miguel Arcanjo. A instituição atende a cerca de 3.500 crianças e jovens com idade entre zero e 18 anos, mas os que chegam à maioridade não deixam de ser acompanhados. Durante dois anos mais, os jovens são acompanhados pela equipe da instituição. “Estes jovens têm uma história cheia de abandonos e ausências. Completar a maioridade não pode ser mais um abandono”, afirma Padre Renato.
A Casa do Menor funciona no bairro de Miguel Couto, no município de Nova Iguaçu, Baixada Fluminense. Criada em 1986 por iniciativa do Padre Renato, que na época era pároco da região, o objetivo era responder aos altos índices de violência contra jovens do bairro. Para isso, a instituição oferece casas-lares, que têm como objetivo oferecer às crianças um ambiente familiar, que segundo Padre Renato, é a chave para socializar um jovem. “A raiz fundamental da violência é não ser filho de ninguém. Quando os jovens chegam aqui eles ganham uma família e isso faz com que se sintam amados, com que desejem ser pessoas mais solidárias”, afirma.
A metodologia é norteada pela pedagogia-presença: amar incondicionalmente as crianças. Mas além do amor, fundamental para o desenvolvimento de qualquer jovem, a Casa do Menor oferece também cursos de profissionalização, encaminhamento ao mercado de trabalho, geração de renda, atividades lúdicas, atendimento de saúde e acompanhamento das famílias. “Fazemos abordagem de rua. É como um início de namoro, chegamos devagar e conquistamos a confiança do jovem e da família”, conta Padre Renato.

Assim como a instituição de Padre Renato, o Centro Juvenil Salesiano, na Regional Pampulha, em Belo Horizonte, é católico, mas não por isso deixa de estabelecer parcerias com outras igrejas cristãs. “O Centro Juvenil Salesiano é uma obra aberta, não fechamos as portas, temos contato com outras igrejas, estamos abertos a todos da comunidade”, conta Julio Cesar dos Santos, articulador social da instituição. “Não fazemos distinção de religião, sexo, raça. O espaço educativo deve ser para todos”, afirma.
Em 2007, o Centro atendeu a 598 pessoas, 60% delas com idade entre 15 e 29 anos. A Ordem dos Salesianos foi organizada por São João Bosco e tem como principal diretriz o trabalho com jovens e “formar bons cristãos e honestos cidadãos.” Para Julio César, é essa a maior preocupação do Centro. “Trabalhar com jovens na perspectiva cristã é possibilitar que sejam pessoas melhores e que tenham uma postura diferente perante a sociedade”, afirma.
A instituição oferece cursos profissionalizantes, atividades lúdicas, acompanhamento familiar e atividades transversais de "formação humana". O objetivo é fazer com que os atendidos compreendam que aquele lugar é mais que um centro de formação profissional. “É importante que entendam que é importante utilizar o aprendizado para ser uma pessoa diferente com seu semelhante”, reforça Julio César.
O Centro Juvenil vai além do trabalho humanitário. Membro do Fórum de Entidades e Movimentos Juvenis da Região Metropolitana de Belo Horizonte, a instituição se compromete também com a luta para que a mudança venha de setores governamentais também. “Entendemos que temos nossa atuação de base, local, mas entendemos também que é fundamental a articulação com outras entidades, com o poder público, no sentido de garantir e implementar políticas públicas voltadas para a juventude”, afirma.
Arte contra violência
A postura se repete no bairro de Felipe Camarão, em Natal, capital do Rio Grande do Norte. Lá, o Programa de Desenvolvimento de Área (PDA) Caminhos do Sol, vinculado à ONG Visão Mundial, evangélica, busca parcerias laicas também, com raízes comunitárias. “Acreditamos que não dá para ficar vinculado somente às parcerias com igrejas, senão não teríamos como dialogar com outros setores da sociedade”, avalia Maria Divaneide Basílio, coordenadora do PDA Caminhos do Sol.
A entidade chegou a Felipe Camarão há três anos e atende hoje a 2.307 crianças cadastradas. A comunidade tem uma população de 72 mil habitantes e uma realidade de pobreza e violência. Para combater e prevenir o envolvimento de jovens em criminalidade violenta, arte.
A Visão Mundial estabeleceu parcerias com entidades cristãs locais, mas também com grupos de hip-hop, associações de moradores, escolas e postos de saúde. “A parceria proporciona um trabalho mais forte nas comunidades, podemos entrar nas igrejas, nas favelas, nas escolas. Utilizamos a arte como um meio para mobilizar”, explica Maria Divaneide.

A Visão Mundial oferece às crianças e jovens cadastrados aulas de capoeira, flauta, teatro, inclusão digital, baú de leituras, artes visuais, além de visitas diárias às famílias, para acompanhar os atendidos. E qualquer um pode ser beneficiado pelos serviços oferecidos.
“Temos momentos de valorização da espiritualidade, mas não evangelizamos, nem discriminamos. Não apostamos em mais um apartheid, na idéia de que existe um lado bom e um lado mau. Procuramos entender por que o jovem está envolvido com violência. É um lento processo de sensibilização”, define Maria Divaneide.
A postura vem da filosofia de “vida em abundância”, que norteia o trabalho da instituição. “É mais que um trabalho, que cumprir tarefas, é mais que realizar oficinas, é uma missão de vida. É preciso mais que conhecimento técnico, mas também acreditar que é possível criar um mundo mais fraterno, mais humano, com menos violência. A fé sem a ação, sem um gesto concreto, não tem sentido”, conclui.
Saiba mais:
Caravana Comunidade Segura 2007








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