O campo minado de Guiné-Bissau

O quinto país mais pobre do planeta foi assolado por guerras civis e por uma sangrenta luta pela independência. Ficou semeado de minas. Conheça o esforço de quem se arrisca para desativá-las

por Jonathan Coe

À medida que o carro avançava por entre a massa fervilhante de corpos em frente ao Aeroporto Osvaldo Vieira, pensei comigo mesmo que eu não deveria estar aqui. Esta é a minha primeira viagem à África e, na qualidade de um romancista prestes a se aposentar e cuja noção de aventura é uma visita à nova filial da minha cadeia favorita de lojas de suprimentos de escritório, não estou convencido de estar fazendo a coisa certa.

Aturdido pela confusão de vozes e pelo calor de 40°C, a princípio fica difícil absorver qualquer coisa, a não ser as impressões mais enevoadas e generalizadas. Alguém chama minha atenção para o posto de gasolina a poucos metros do aeroporto, mas não consigo ver nada de muito especial nisso. Nem no terreno baldio que está a sua sombra, nem na meia dúzia de crianças que está brincando lá, em meio ao lixo e aos escombros.

Alguém me fala algo sobre o volumoso objeto cilíndrico de metal que jaz na poeira avermelhada ao lado das crianças. Aparentemente, é uma bomba - um velho foguete soviético de 122 mm com alto poder de explosão e fragmentação. Viro a cabeça na direção dos carros que passam e lanço mais um olhar às crianças que correm de um lado para outro em seu playground improvisado. Elas estão a cerca de cinco metros da bomba.

Fonte: O Estado de São Paulo

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