Rio: armas da Polícia Militar vão para o crime

O Deputado Raul Jungmann, presidente da Subcomissão Especial de Controle de Armas e Munição (SUBCOMARM) da Câmara dos Deputados, acaba de divulgar um relatório que revela que armas compradas por órgãos do poder público foram desviadas para o crime.

O estudo "As armas apreendidas no Estado do Rio de Janeiro e rastreadas até instituições do Estado", realizado com o apoio técnico do Viva Rio, revela que 9,2% das armas apreendidas no Rio de Janeiro rastreadas foram identificadas como tendo sido compradas por órgãos do poder público estaduais e federal.

A CPI do Tráfico de Armas e a SUBCOMARM solicitaram o rastreamento de 53.394 armas apreendidas no Estado do Rio de Janeiro entre 1954 e 2004. Destas, 21.350 armas foram rastreadas, das quais 1.973 (9,2%) tinham sido compradas pelas polícias ou Exército brasileiro.

De acordo com o relatório, quase metade dessas armas tinham sido compradas pela Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ). Outras 21% foram compradas pelo Exército brasileiro e 12% tinham sido vendidas para PMs de outros estados.

Ainda segundo o levantamento, entre essas armas analisadas, o predomínio é do calibre .380 (53%), calibre de pistola de uso permitido e que comumente não faz parte do patrimônio das polícias e Forças Armadas. “Isto indica um possível desvio, roubo o venda ilegal da ‘segunda arma’, vendida no quartel por representante da fábrica”, afirma o estudo.

A maioria das pistolas .380 foi comprada por policiais militares do estado do Rio de Janeiro até 1995. Não se registram compras posteriores a 1999. E a quase totalidade (97%) era de fabricação nacional.

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Saiba mais:

Apresentação sobre o estudo

Resposta da PMERJ à reportagem veiculada no jornal O Globo

Dossiê Comunidade Segura sobre a CPI do Tráfico de Armas

Íntegra do relatório final da CPI do Tráfico de Armas

Em outros sites:

Armando o próprio inimigo

Matéria publicada no O Globo em 5/7/2007

Tráfico tinha 525 armas desviadas de quartéis

Matéria publicada no O Globo em 6/7/2007

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