Tambores da paz no Haiti

Um acordo de paz entre grupos de quatro zonas vizinhas devolveu a esperança à acordopaz_portal.jpgpopulação Bel Air, na região central de Porto Príncipe, capital do Haiti. Na quarta-feira, dia 16 de maio, um encontro entre quatro líderes de diferentes grupos antes armados e historicamente rivais superou as expectativas. O processo de paz foi conduzido pelo Viva Rio em parceria com a Comissão Nacional de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (CNDDR), presidida por Alix Fils-Aimé. O acordo é parte das ações do projeto 'Honra e Respeito por Bel Air', coordenado pelo Viva Rio, que conta com a parceria de ONGs e lideranças locais, e os governos haitiano, brasileiro e norueguês.

O documento assinado pelas quatro lideranças prevê estímulos para a população de todas as 11 áreas da Grande Bel Air, caso a paz seja mantida. Para cada mês sem morte violenta, três bolsas de estudo destinadas a crianças são distribuidas em cada área. São bolsas de US$130 por ano, que correspondem ao custo médio de um ano letivo em uma escola privada. Os concorrentes têm seus nomes colocados dentro de uma roleta chamada de 'tambor', de onde serão sorteados os beneficiados. "A idéia é que com a paz todos ganham. Com o conflito, todos perdem", explica Rubem Cesar Fernandes, diretor-executivo do Viva Rio.

Não apenas as crianças ganham. Para cada dois meses sem violência, uma bolsa será sorteada para membros dos grupos dominantes das 11 localidades. Por sugestão dos líderes, o benefício inclui aulas de francês, inglês e criação (música, artesanato, poesia). A cada três meses há comemoraçãoes embaladas por grupos de rara (música de rua tradicional no Haiti).   

Líderes agora são agentes comunitários

tambores_dentro.jpgO acordo de paz modificou tão profundamente a situação que os líderes antes suspeitos de envolvimento com violência foram nomeados pelo governo haitiano para mediar a paz. Os quatro signatários do documento, mais quatro líderes de outras localidades passaram agora a ser Agentes de Prevenção e Gestão do Conflito (APGC), apoiados pela CNDDR, que tem atribuições ministeriais.

A participação do Exército Brasileiro nas negociações foi fundamental, mas não menos problemática. A Companhia que atua em Bel Air, comandada pelo Major Lídio, chegou ao bairro em dezembro de 2006 e encontrou a região já pacificada. Entretanto, episódios violentos fizeram com que houvesse um recrudescimento nas ações repressivas.

reuniaoddr_edit.jpg“Fizemos uma primeira reunião entre o comando da Companhia e lideranças locais com a intenção de ouvir as reclamações destes em relação à atuação da força de paz.”, conta Fernandes. Do encontro, surgiu a idéia de participar de uma ação conjunta, o Mutirão da Paz. Em 27 de abril, um desfile de rara partiu de Bel Air rumo a Cité Soleil, outro bairro popular de Porto Príncipe, em comemoração ao fim dos combates nesta região.

A festa da paz

Diz-se que no Brasil tudo acaba em carnaval. No Haiti, tudo começou no carnaval.

Como parte da promoção da paz em Bel Air, 14 grupos locais de rara e quatro bandas de jazz participaram do desfile de carnaval com o patrocínio do projeto 'Honra e Respeito por Bel Air'. Em troca, colaboraram com a difusão da idéia de promoção da cultura como instrumento de contenção da violência.

Em fevereiro de 2007, o programa 'Honra e Respeito por Bel Air' completava um mês de ações voltadas para o acesso à água, à saúde e estímulo ao protagonismo feminino no bairro. A aproximação com grupos de base rendeu frutos colhidos pela própria população. Por meio dela, foi possível chegar perto dos líderes de grupos locais e iniciar o processo que culminou com a assinatura do acordo de paz entre líderes das vizinhas Bel Air, Solino, Delmas II e La Saline-Fort Trou Rond.

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Apesar do carnaval, o processo não correu sem sobressaltos. Poucos dias após a festa, um incidente envolvendo um membro de grupo de Bel Air teve como desfecho o assassinato de um rival em Delmas II. Em represália, os oponentes mataram sete dos cerca de 40 integrantes do rara de Bel Air, o que criou um clima de tensão no bairro uma semana antes da Semana Santa, quando voltaria a acontecer o tradicional desfile de grupos rara.

O processo de paz, que parecia ter sofrido forte abalo, se revigorou. Robert Montinard e Daniel Delva, integrantes do 'Honra e Respeito por Bel Air', e também membros da CNDDR, decidiram  propor aos líderes locais uma quebra no ciclo da violência. Procuraram grupos rara e, no lugar de cancelar a festa (que vai de sexta-feira da Paixão ao domingo de Páscoa), acrescentaram a quinta-feira a ela e foram até Delmas II celebrar a cultura de paz.

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Montinard, Delva e Samba Bookman, Comissário da CNDDR,  promoveram uma série de encontros entre as lideranças das 11 áreas com o intuito de convencê-los de que os maiores beneficiários daquilo eram os próprios e a população local. “É uma guerra fraticida”, analisa Fernandes. “Conseguimos substituir vingança por reconciliação.”

A polícia haitiana não participou da primeira etapa do processo de paz, mas começa hoje a integrar-se com os novos agentes governamentais. Mediado pelo projeto 'Honra e Respeito por Bel Air',  um jogo de futebol entre jovens do bairro e policiais haitianos promete ser o pontapé inicial da reconstrução também da segurança pública. No melhor estilo.

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Comentários

A paz é o que queremos

É uma iniciativa muito bonita, pessoas que querem ajudar e ser ajudadas, se todos nós pensassemos em um bem comum e que beneficia a todos chegaremos a PAZ MUNDIAL..
Parabéns a todos os que colaboraram com essa realidade...

VIVA A PAZ NO HAITI!!!

E chegaremos a PAZ mundial....

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