Violência como uma questão da Saúde
Violência é uma questão da Saúde Pública tendo em vista o impacto causado na qualidade de vida da população: é a primeira causa de morte dos jovens, e segunda da população em geral. As incapacidades geradas, de ordem física, psíquica e emocional afetam a saúde e oneram a sociedade de forma direta e indireta. Em estudo realizado em 1998 pela Fundação Oswaldo Cruz sobre impacto das doenças e dos agravos, foi observado que as violências foram as principais responsáveis pelas incapacidades e mortes prematuras dos homens brasileiros.
Entre as causas externas, os homicídios ocupam papel de destaque. No Brasil, morre-se mais por homicídio do que por acidente de trânsito, 68% desses homicídios são cometidos por arma de fogo. - O homem jovem no Brasil morre mais por arma de fogo do que por qualquer outra doença associada, acidente de trânsito ou outra causa externa. O suicídio não tem grande expressão na mortalidade dos brasileiros, porém é importante levantar a hipótese da sub-notificação e lembrar do fato de que as tentativas de suicídio, em número bem maior que os suicídios, levam a um grande impacto da saúde.
O papel do setor Saúde não se limita a tratar as conseqüências. O profissional de saúde tem um papel importante na prevenção das violências.
- A informação gerada pela saúde serve de instrumento para elaboração de políticas públicas saudáveis
- O profissional, como formador de opinião pública, tem a possibilidade de sugerir mudanças de comportamento de risco.
- Sua atuação junto às famílias pode intermediar na resolução de conflitos, potencializando o papel de cada membro e ajudando-os a quebrar os personagens cristalizados das vítimas ou dos agressores.
A prevenção da violência tem sido vista como a grande novidade por parte dos profissionais de saúde. A Organização Mundial de Saúde lançou recentemente o Relatório Mundial sobre a Prevenção da Violência, assim como o Ministério da Saúde, em 2001, lançou a primeira Política Nacional de Redução dos Acidentes e Violência.
A prevenção é baseada no fato que ninguém nasce violento, se aprende. É possível se aprender outras formas de relacionamento que não através do uso da violência. O profissional de saúde é um indutor de atitudes e comportamentos saudáveis e sua capacidade de formar opinião o coloca em posição de destaque para que, junto da população, a fortaleça e a torne mais segura e harmoniosa.
Luciana Phebo é mestre em Saúde Pública pela Universidade Johns Hopkins, EUA, pós-graduada em Saúde Internacional pela Organização Pan-Americana de Saúde (Washington/EUA) e em Epidemiologia pelo Center for Diseases Control and Prevention (Atlanta/EUA). É pesquisadora do Instituto de Estudos da Religião (Iser) e coordenadora da Assessoria de Prevenção de Acidentes e Violência da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro e membro da Assessoria de Promoção de Saúde da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro.








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