Milícias, ameaça paramilitar?
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Cerca de cem policiais figuram como suspeitos de envolvimento com milícias em trinta investigações que estão sendo realizadas nas corregedorias das polícias Civil e Militar e em 14 delegacias de áreas onde atuam milícias, principalmente em favelas das zonas Oeste e Norte do Rio de Janeiro. As informações foram divulgadas pelo secretário de Segurança do estado, José Mariano Beltrame O Disque-Denúncia do Rio de Janeiro recebeu, nos meses de dezembro de 2006 a fevereiro de 2007, mais de 500 denúncias sobre a atuação de milícias em comunidades de baixa renda. As denúncias vêm ajudando a Secretaria de Segurança Pública a investigar a ação desses grupos paramilitares formados por agentes e ex-agentes do sistema de segurança pública que, sob a justificativa de acuarem os traficantes da área, instituem um novo poder paralelo, impondo regras de comportamento e cobrando taxas por “serviços” diversos, como segurança, TV a cabo ilegal e transportes. De acordo com o coordenador do Disque-Denúncia, Zeca Borges, há pelo menos quatro anos a entidade recebe denúncias desse tipo, e todas são encaminhadas à Corregedoria da Polícia. “A análise das informações demonstra claramente o crescimento das milícias”, afirma Borges. Só no mês de fevereiro, foram 366 denúncias. Segundo Borges, as informações evidenciam que segmentos da comunidade apóiam a ação das milícias. “O problema é que elas nascem como instrumento de defesa da comunidade, mas acabam como instrumento de controle sobre elas”, afirma. Borges compara o problema com o processo de surgimento e desmantelamento da SA – a milícia do partido nazista, aniquilada mais tarde pela SS –, as milícias do Líbano, que provocaram a guerra civil, e as violentas organizações paramilitares na Colômbia. Para ele, estes são exemplos de como a articulação da comunidade em defesa própria pode terminar de forma trágica. A Secretaria de Segurança Pública já tem nomes e números de policiais envolvidos (“são muitos”, segundo o secretário José Mariano Beltrame) e mapas de pontos dominados por milícias, mas no momento não divulga mais informações para não atrapalhar as investigações. Enquanto isso, especialistas em segurança pública e policiais refletem sobre as causas e efeitos do problema. Este dossiê reúne reportagens exclusivas, artigos e notícias publicadas na mídia. Clipping de notícias: Cem policiais são investigados por envolvimento com milícias (08/02/2007) Central clandestina de TV a cabo seria gerenciada por milícia (02/03/2007) Polícia investiga relação entre execuções de policiais no RJ (26/02/2007) Lucro de milícias ultrapassa R$ 5 milhões em comunidades (25/02/2007) Tráfico começa a caçar milicianos (23/02/2007) Beltrame já sabe nomes de policiais envolvidos com milícias (13/02/2007) A força eleitoral das milícias (12/02/2007) Julita Lemgruber: "Governo do Rio não fez nada para impedir milícias" (08/02/2007) Violência no Rio ganha nova dimensão com milícias (08/02/2007) Cabral diz que não vai tolerar ação de milícias (07/02/2007) Atuação das milícias divide especialistas no Rio (08/01/2007) Milícias expulsam os traficantes e já controlam 92 favelas da cidade (9/12/2006) Milícias avançam pelo corredor do Pan (9/12/2006) Milícia precisou de dois dias para tomar favela Kelson's (9/12/2006) |
Reportagens exclusivas O Rio entre traficantes e milícias Exilados em seu próprio território Entrevistas Coronel Ubiratan Ângelo: 'Justiceiros não são segurança' Artigos Por Alexandre Neto e Alberto Calvano por Jacqueline Muniz e Domício Proença Júnior O desafio da responsabilização policial por Domício Proença Júnior e Jacqueline Muniz As milícias e a falta de estado Por Jorge Zaverucha e Adriano Oliveira Na Biblioteca: por Domício Proença Júnior e Jacqueline Muniz |
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