?Obedecer é muito mais fácil?

majorNadia_troca.jpgMultimulher. O termo não está no dicionário, mas adequa-se bem à major Nádia Rodrigues Silveira Gerhard. Aos 38 anos, casada e mãe de dois filhos, ela é a primeira mulher a comandar um batalhão de polícia militar no Rio Grande do Sul: o batalhão de Estrela, responsável pelo policiamento de 11 municípios do Vale do Taquari, no interior do estado.

Além de cumprir a dupla jornada comum às mulheres que se dividem (ou se multiplicam?) entre deveres domésticos e profissionais, Nádia também é multi em sua formação acadêmica e na atuação dentro da Brigada Militar. Formada em Letras e pós-graduada em psicologia social, há 18 anos ela segue os passos de sua família de brigadianos nas mais diversas funções na corporação. Em relação ao poder, demonstra maturidade: “O ato de mandar não pode ser unilateral. Descentralizar o poder faz com que as estruturas se oxigenem e se renovem.”

Entre uma responsabilidade e outra, a oficial, que assumiu o cargo em 23 de janeiro, encontrou tempo para conversar com o Comunidade Segura e mostrou que, além de competente, é simpática.

Como se sente no comando de um batalhão majoritariamente masculino, numa corporação e num estado com fama de machistas?

O estado é considerado machista, mas acho que existe uma tendência salutar de isso acabar. Agora temos uma governadora e, em Porto Alegre, a Câmara dos Vereadores é presidida por uma mulher. Estar à frente de um batalhão lisonjeia qualquer pessoa, independente do gênero. Assumir o comando é um progresso natural da carreia, os degraus vão sendo galgados. Por acaso quem galgou os degraus que levaram a esta posição foi uma mulher – eu.

O que é mais fácil, mandar ou obedecer?

Obedecer é muito mais fácil. O mandar implica em ter discernimento sobre se a pessoa terá ou não condições de obedecer o que está sendo ordenado. É preciso ter percepção e sensibilidade para saber se há condições de retorno, para não haver frustração para ambas as partes. Além disso, para poder mandar é preciso saber fazer. Não posso mandar um policial ficar seis horas de guarda em pé se isso é humanamente impossível. O ato de mandar, na verdade, é um “co-mandar”: um mandar em conjunto, não unilateral. Descentralizar o poder faz com que as estruturas se oxigenem e se renovem.majorNadia.jpg

Quais as vantagens dos homens e das mulheres na profissão de policial?

Os homens são mais fortes fisicamente, tem mais robustez que as mulheres, o que não significa que sejam mais resistentes. Já as mulheres conseguem fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo, coisa que os homens têm dificuldade. A agilidade e a rapidez de raciocínio favorecem a atividade policial, e tenho visto essa qualidade em muitas mulheres. Mas homens e mulheres são como o côncavo e o convexo: um completa o outro com o que este não tem.

Poderia destacar alguns momentos importantes de sua carreira na Brigada Militar?

Estou há 18 anos na corporação, sendo 14 em Porto Alegre e quatro no interior. Fui chefe da 1ª, 2ª e 3ª seção do Batalhão de Sarandi, no norte do estado, uma área de passagem muito conturbada. Não havia um dia em que não se achava um morto. Fui analista do Copom (atual Ciosp, o 190 gaúcho), onde fazia a triagem das denúncias, gerava as ocorrências e determinava o encaminhamento de viaturas. Alguns turnos são muito estressantes, como a madrugada, ou mesmo de dia, quando ocorrem crimes difíceis como assaltos a bancos.

Também fui diretora do Museu da Brigada Militar, onde fui responsável pela transferência do museu do Partenon, um bairro afastado, para a rua dos Andradas, no centro cultural da cidade de Porto Alegre. 

Trabalhei ainda como instrutora de língua portuguesa e comunicação social, função que ainda mantenho com satisfação.

Qual a sua formação universitária e por que optou pela carreira policial?

Sou formada em Letras pela PUC-RS e pós-graduada em psicologia social. Mas venho de uma família de brigadistas, então tive a vivência da função policial desde o nascimento.

A instrução universitária influencia o seu trabalho na Brigada?

Hoje o policial tem que produzir muitos documentos que tem que ser bem elaborados, inclusive ocorrências que vão direto para o juiz (termo circunstanciado). Além disso, a instituição universitária abre o leque de conhecimentos e desenvolve a capacidade de lidar com outras pessoas de uma maneira geral. Ensino nunca é demais.

Comentários

Aplauso

Aplauso para a Comandante Gerhard e votos de bom trabalho. "Ensino nunca é demais". E nos tempos que correm qualquer profissional a sério tem que estudar e aprender para o resto da vida. De resto, uma licenciatura universitária é sobretudo uma "licença para estudar sozinho".

Aplauso

Como oficial superior da guarda portuguesa felicito a Sr.ª Major GERHARD pela tomada de posse do comando dum BatalhãoOperacional e desejo-lhe os maiores êxitos na sua difícil missão.Quero ainda dizer que concordo inteiramente com a sua opinião acerca do ensino.Parabéns

Aplauso

Parabéns e felicidades parao cumprimento da missão de comando que agora assumiu.

SUCESSO!

Sucesso com certeza terás, pois ele sempre acompanha profissinais competentes! Parabéns!!

Muito sucesso

Maj Nadia, primeiramente parabéns pela conquista só quem te conhece sabes que é merecedora,és batalhadora, perpicaz, sensivel, inteligente e dinamica acima de tudo. Muito sucesso é o que posso desejar, e por experiencia propria posso dizer o quanto é gratificante fazer parte de sua equipe de trabalho e ser mandada por uma mulher sim, uma mulher que sabe comandar e isso sim faz e muito a diferença. MAIS UMA VEZ PARABENS PELA CONQUISTA NADA MAIS QUE JUSTA. Sara

Enviar novo comentário

O conteúdo deste campo é mantido privado e não será publicado.
CAPTCHA
Isso serve para verificar se você é um visitante de verdade e não um robô, evitando, assim, o envio automático de spam.
Image CAPTCHA
Copy the characters (respecting upper/lower case) from the image.