Polícia comunitária muda realidade em bairro paulista
Jardim Ranieri, bairro vizinho a Jardim Ângela e Capão Redondo, na Zona Sul de São Paulo, é um exemplo de que a paz se faz com ações conjuntas entre sociedade e órgãos públicos. Desde 1999 funciona naquele bairro a 4ª Companhia do 37 º Batalhão de Policiamento Metropolitano da Polícia Militar, base de policiamento comunitário que mudou a realidade dos habitantes da região.
Segundo dados da 47ª Delegacia de Polícia, no Capão Redondo, os índices de homicídio na região caíram 52% entre 2002 e 2005, queda superior à média para a cidade de São Paulo. “A base de policiamento comunitário nasceu de uma cooperação entre a comunidade e a corporação para minimizar carências da região e gerar estrutura necessária para controlar os índices de violência do bairro”, conta o Major Jackson, chefe da Divisão de Policiamento Comunitário de Jardim Ângela.
Para atingir o sucesso, o trabalho foi além de ações de repressão pura à criminalidade violenta. O efetivo policial da região, que atende cerca de 51 mil pessoas num raio de 2,5 km, recebe capacitação em direitos humanos, legislação, mediação de conflitos e técnicas de conversação antes de atuar em Jardim Ranieri.
Integração entre polícia e comunidade é fundamental
Major Jackson aposta na aproximação entre polícia e moradores para atingir suas metas. Ele conta que quando a base começou a funcionar, houve reuniões com comerciantes locais e líderes comunitários para que a polícia conhecesse as necessidades, críticas e sugestões da população local. “Como muitos homicídios ocorriam nas imediações de bares devido ao excesso de consumo de álcool, conversamos com os proprietários e 75 dos 77 comerciantes locais espontaneamente se propuseram a fechá-los às 22h”, conta o Major.
Os policiais também visitam residências, deixam cartões de visitas para os moradores, fazem campanhas na comunidade. O Major Jackson ressalta que o objetivo é mostrar que a polícia militar está ali para colaborar com a comunidade: “Isso aumenta a consciência de cidadania da população local e faz com que ela entenda que qualidade de vida depende de sua cooperação.”
Uma série de campanhas conjuntas entre polícia e cidadãos teve papel importante na transformação da realidade do bairro. Do ‘Pacto pela Vida e Pela Paz’, que fechou bares mais cedo e ainda assim obteve simpatia da população local, a campanhas de recolhimento de agasalhos para doações, o 37º Batalhão realizou ações que viraram referência em policiamento comunitário, como o Projeto Canteiros, que lhe rendeu o prêmio Polícia Cidadã, dado pelo Instituto Sou da Paz.
Modelo importado do Japão
Inspirada no modelo de japonês, em prática desde 1868, e levada a cabo com o auxílio da Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA), a base de policiamento comunitário do Jardim Ranieri é parte de projeto-piloto que inclui outros sete centros semelhantes. Assim como o 37º Batalhão, esses centros apostam na aproximação entre polícia e comunidade para solucionar conflitos e reduzir a criminalidade violenta.
A atuação das bases de policiamento comunitário é similar à dos Koban japoneses. “Cada uma atende a uma área que fica em torno de 2,5 km, assim a comunidade toda tem conhecimento de quem são os policias e faz com que a relação fique mais estreita”, explica o Major Jackson.
O sucesso da fórmula e de sua aplicação é tanto, que o estado de São Paulo vai ganhar mais 12 bases como a de Jardim Ranieri em 2007. “São dez na cidade de São Paulo e duas no interior. Já definimos os locais onde serão implantadas e agora falta capacitar o efetivo para que o policial tenha condições de atender a população com a mesma excelência”, anuncia o Major Jackson.
O projeto foi visitado em 2006 pela Caravana Comunidade Segura, que mapeou boas práticas em segurança pública em estados de todas as regiões brasileiras.
Saiba mais:
Dossiê Caravana Comunidade Segura
Índices de criminalidade caem em Minas e em São Paulo
Jardim Ranieri: redução de 52% nos homicídios de 2002 a 2005
Em outros sites:
Prêmio Polícia Cidadã - Instituto Sou da Paz








Comentários
Enviar novo comentário