Alô, polícia!

190a_peq.jpgDiscar 190 e ouvir o sinal de ocupado poderá ser um pesadelo do passado para os cidadãos do estado do Rio de Janeiro. Até o final do ano, um novo sistema informatizado, em fase de implantação pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) (foto), deverá mais que dobrar a capacidade de recebimento de chamadas da central de emergência da Polícia Militar. Além de aumentar a capacidade de atendimento de solicitações, o sistema deverá reduzir significativamente o tempo de chegada de viaturas aos locais das ocorrências.

Hoje, a central 190 funciona no Centro de Comunicações (Copom) do Quartel General da PMERJ, com 20 postos de atendimento ocupados por policiais, que atendem entre 400 mil e 500 mil ligações por mês. Destas, 40% são trotes e apenas de 12% a 20% referem-se de fato a ocorrências criminais. As demais são solicitações que dizem respeito a outros órgãos.

Com a reestruturação, a central passa a ocupar um andar inteiro do prédio da Central do Brasil, onde funciona a SSP. Um call center terceirizado, com oitenta postos de atendimento, deverá atender a 1,2 milhão de chamadas por mês e fará a triagem das ligações, remetendo eletronicamente apenas as denúncias pertinentes aos respectivos batalhões.

A nova central já está operando parcialmente desde 10 de novembro, atendendo às áreas de Niterói (12° Batalhão de Polícia Militar) e São Gonçalo (7° BPM). Até o fim do ano, deverá servir também à Baixada Fluminense e à capital.

Ao receber o telefonema, o terminal do operador do 190 registra o número do telefone e o local onde está instalado. O operador então levanta informações sobre o local da ocorrência e a descrição dos possíveis criminosos e vítimas, entre outros dados relevantes. Em alguns segundos, as informações são passadas para a sala de monitoramento do batalhão responsável pela área.

Computador de bordo e GPS em todas as viaturas

Outra vantagem do sistema é a agilidade no despacho de viaturas, que será feito pelos próprios batalhões da Polícia Militar, já que toda a frota da corporação está sendo equipada com tecnologia GPS, de localização por satélite. A viatura que estiver mais próxima à ocorrência relatada será acionada pelo batalhão e receberá pelo computador de bordo, via mensagem de texto, todos os dados necessários para prestar o atendimento. Em casos de emergência, os policiais poderão solicitar reforço acionando um botão de pânico instalado nas viaturas.

A expectativa é de que o tempo entre o atendimento das chamadas e a chegada de uma viatura ao local da ocorrência caia de 25 para cinco minutos. Espera-se que o número de trotes recebidos também se reduza consideravelmente, uma vez que o número do telefone e sua localização ficarão registrados. A falsa comunicação de ocorrência é contravenção penal prevista no artigo 340 do Código Penal. O infrator fica sujeito à pena de um a seis meses de detenção ou multa.

Novo serviço é da Telemar

Uma licitação determinou a escolha da Telemar para a implantação do projeto. Cerca de R$ 35 milhões foram investidos pela empresa por meio do Programa Estadual de Parcerias no Combate à Violência, instituído pela Lei 4.180, que permite às empresas privadas destinarem até 10% do ICMS devido a projetos de segurança. Além da Telemar, outras seis empresas de tecnologia estão envolvidas no desenvolvimento do sistema, que integra diversos programas de nova geração.

De acordo com o subsecretário de Administração da SSP, César Campos, o sistema favorece a descentralização, uma vez que cada batalhão passa a ter supervisão direta dos seus veículos. “Os comandantes dos batalhões vão passar a comandar de fato todas as suas viaturas”, enfatiza.

saladecontrole_peq.jpgPara Campos, um administrador de empresas que já foi diretor da Cedae, da Feema e vice-presidente do Detran-RJ, o novo governo vai assumir a segurança pública do Rio de Janeiro com condições que nenhum outro governo teve:

“Informatizamos 100 delegacias legais, que estão ligadas em rede; criamos um banco de dados com mais de 15 milhões de informações criminais das delegacias legais com recurso de geo-referenciamento, que permite gerar mapas que a PM pode consultar; temos uma infra-estrutura de sistema de câmeras com 220 câmeras e 22 salas de monitoramento em batalhões, além do Centro de Comando de Controle na própria secretaria (foto), para situações de emergência.”

Questionado se há resistências à implantação do novo 190 e demais avanços tecnológicos, Campos foi categórico: “Um projeto que não tenha resistência é um projeto errado, porque não está modificando nada, é um projeto de acomodação, que não tira as pessoas da área de conforto em que estão realizando seu trabalho. Nosso desafio hoje é tecnológico.”

Saiba mais:

Dossiê tecnologia contra o crime

Comentários

Central 190

Muito bom saber que o 190 está sendo repaginado, pois já precisei ligar várias vezes e desisti, visto que, ou estava ocupado ou entrava uma mensagem dizendo que todos os atendentes estava ocupados no momento. Não dá para uma central de emergência da polícia ter esse tipo de mensagem nem o telefone estar ocupado. Espero que possamos, efetivamente, poder ter um serviço que nos atenda e não um desserviço à sociedade.

Enviar novo comentário

O conteúdo deste campo é mantido privado e não será publicado.
CAPTCHA
Isso serve para verificar se você é um visitante de verdade e não um robô, evitando, assim, o envio automático de spam.
Image CAPTCHA
Copy the characters (respecting upper/lower case) from the image.