Igesp: aos moldes de Nova York, sucesso replicado
Feito sob os moldes do sistema Compstat, implantado em Nova York, o programa Integração e Gestão em Segurança Pública (Igesp) prevê o gerenciamento das atividades policiais com base na gestão integrada do conhecimento, apoiada por tecnologia avançada. Para isso, é fundamental a sistematização de informações atualizadas e precisas oriundas de diversos órgãos de segurança e de Justiça, como Polícia Civil, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Ministério Público, a sua comunicação aos agentes de segurança em encontros estratégicos e o uso de ferramentas eletrônicas, como as que geram mapas da criminalidade.
Implantado em julho de 2005, o sistema já mostrou bons resultados: na região metropolitana de Belo Horizonte, a criminalidade caiu 12,5% e os homicídios 23%.
Os encontros do Igesp acontecem uma vez por mês numa sala grande, em torno de uma mesa em formato de U. Na base do U têm assento o comandante da Polícia Militar e o chefe da Polícia Civil, ladeados por um representante da Secretaria de Defesa Social e pelo sociólogo Cláudio Beato, coordenador do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública da Universidade Federal de Minas Gerais (Crisp). Também compõem a mesa comandantes de batalhão, delegados da Polícia Civil e representantes do Ministério Público, Judiciário, Corregedoria e Prefeitura. Nas reuniões são discutidas as metas e resultados de ações policiais em 25 regiões da cidade de Belo Horizonte.
De acordo com o secretário adjunto de Estado de Defesa Social do estado de Minas Gerais, Luis Flávio Sapori, o Igesp permite traçar um planejamento operacional conjunto com base no conceito das Áreas Integradas de Segurança Pública (Aisps), que são circunscrições comuns entre unidades das polícias: os batalhões de Polícia Militar e as delegacias da Polícia Civil cobrem áreas correspondentes idênticas, mantendo interação diária a respeito de ações e ocorrências.
O tenente coronel PM Alexandre Salles Cordeiro destaca a importância da tecnologia para as ações de inteligência, ajudando a polícia a se antecipar aos acontecimentos, tomando providências para evitar que ocorram. “Os avanços tecnológicos permitem colher provas, documentar ocorrências e fazer seu acompanhamento com mais eficiência”, explica. Salles enfatiza ainda o sucesso do treinamento dos policiais nas Academias de Polícia Militar ou Civil, onde recebem os mesmos cursos, aumentando o nível de conhecimento mútuo e de trocas. “Essa integração faz com que os profissionais não sejam mais estranhos, o que harmoniza as ações e melhora os resultados”, garante.
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