Líderes comunitários no Paraná aprendem cidadania na escola

Iddeha.jpgFazer da escola um centro irradiador de paz e segurança em comunidades do Paraná é o objetivo do projeto "Escola Participativa", realizado pelo Instituto de Defesa dos Direitos Humanos de Curitiba (Iddeha), em parceria com o Ministério da Justiça, a Secretaria Estadual de Segurança Pública, prefeituras municipais e outras instituições de atuação comunitária. A ONG promove cursos sobre cidadania e direitos humanos para professores, donas de casa, policiais, estudantes e lideranças comunitárias que queiram participar mais ativamente da busca de soluções para os problemas da região onde vivem.

De acordo com Yeda Nichetti, coordenadora do projeto, nos anos de 2005 e 2006 o projeto teve mais de 1.900 participantes, em 82 turmas em 23 municípios do Paraná. Os cursos abordam temas como valores, moral, ética, direitos e deveres, violência, mediação de conflitos, preconceito e discriminação, democracia e ainda o sistema de proteção aos direitos, com informações sobre a Constituição, políticas públicas e orçamento público.

Como atividade prática, os participantes fazem um mapeamento da comunidade em que vivem e um diagnóstico dos problemas e, a partir destas informações, elaboram um plano de ação, com o apoio dos educadores. “Os planos de ação têm de ser algo concretizável. Temos vários exemplos de planos que foram levados adiante e concluídos, que vão desde a construção de espaços físicos comunitários até a criação de um conselho municipal da mulher”, aponta Yeda. Segundo ela, a partir da conscientização, as pessoas multiplicam o saber, se envolvem e buscam a transformação. “Então, a paz acontece”, resume Yeda Nichetti.

Para a professora Orléia Tanise Rossatto, do Colégio Estadual Etelvina Cordeiro Ribas, de Curitiba, onde o Escola Participativa foi desenvolvido, os alunos conseguiram visualizar melhor a questão da segurança após os cursos. “Visualizamos também as nossas falhas pessoais e nossas atitudes e porque elas também geram falta de segurança. Os professores que participam do projeto mudam a maneira de tratar os alunos, revêem as posturas e conseguem enxergar mais os direitos deles e não só os deveres”, ressalta Orléia.

Na avaliação da dona de casa Regina de Souza Lacerda, moradora do bairro Guarituba da cidade de Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, o projeto foi muito importante. “Passei a conhecer mais sobre meus direitos e sobre mim mesma, meu papel como mãe, mulher, em casa e na comunidade”, ressalta.

O projeto Escola Participativa teve início em 2002 e foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como um dos cinco melhores projetos da América Latina em potencial de articular comunidades locais. O projeto também foi selecionado entre as Tecnologias Sociais Certificadas 2005 pelo Banco do Brasil, Petrobras e Unesco.

Além do Escola Participativa, o Iddeha também conta com os projetos Arte da Paz, Liberdade em Ação, Fala Cidadão e Escoppol - Escola de Protagonismo Policial, uma parceria com a Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP).

Comentários

Enviar novo comentário

O conteúdo deste campo é mantido privado e não será publicado.
CAPTCHA
Isso serve para verificar se você é um visitante de verdade e não um robô, evitando, assim, o envio automático de spam.
Image CAPTCHA
Copy the characters (respecting upper/lower case) from the image.