Diadema: união entre governo e sociedade dá certo

regina_miki_int.jpgConsiderada uma das cidades mais violentas de São Paulo, Diadema, na região do ABCD, viu o número de homicídios cair 80% graças a um plano de segurança pública que envolveu a prefeitura, o governo estadual, a sociedade civil (universidades, empresas privadas e associações comunitárias) e a polícia. O projeto, implementado a partir de 2000, combina policiamento ostensivo e medidas de prevenção da violência com programas para inclusão de crianças e jovens em situação de risco.

Em seis anos, segundo a secretária de Defesa Social, Regina Miki, o número de homicídios caiu de 31 para seis ocorrências mensais graças a uma política de segurança que combina ações de prevenção com repressão qualificada. “A parceria da sociedade civil com as instituições do governo foi fundamental. A população estava anestesiada mas saiu da inércia e hoje fica indignada com a morte, cobrando quando ocorre um homicídio”, comemora.

forum_itinerante_diadema.jpgA secretária enfatiza a participação da sociedade civil no sucesso dos Planos Municipais de Segurança Pública de Diadema. Esta participação popular se dá através dos fóruns itinerantes de segurança pública e dos Conselhos Municipais de Segurança. Os fóruns acontecem a cada 15 dias e têm a participação de representantes da sociedade civil e de órgãos municipais e estaduais. Nesses fóruns são discutidos os problemas locais relativos à segurança e são propostas soluções.

“Já os Conselhos Municipais de Segurança são reuniões entre representantes das secretarias municipais de governo onde são discutidas políticas intra-secretariais que envolvem ações em diversas áreas com um mesmo fim: a queda da violência”, explica. Essas políticas, segundo Regina Miki, são implementadas nas áreas de segurança, saúde, educação e urbanismo.

O Plano de Segurança de Diadema foi implementado em duas fases. Na primeira fase, de 2001 a 2004, foram criadas ações como o Projeto Adolescente Aprendiz; integração das polícias Civil e Militar com a Guarda Civil Municipal; Lei de Fechamento de Bares; ampliação da iluminação pública; instalação de câmeras de segurança; e lançamento das campanhas de desarmamento real e infantil.

O 2º Plano Municipal de Segurança começou a ser implementado em 2005 em parceria com o Instituto Sou da Paz, que participou desde a fase de concepção até a redação do plano. “A construção do conteúdo foi extremamente participativa e a população teve um papel importantíssimo. É o exemplo de parceria entre governo e sociedade civil que deu certo”, avalia Mariana Montoro, coordenadora de Comunicação da ONG paulista.

adolescente_aprendiz_diadem.jpgEste segundo plano foi fruto de debates realizados por intermédio de audiências públicas onde foram estabelecidos 17 compromissos que confirmam e evoluem os objetivos do primeiro plano e foram divididos em três áreas de atuação: fatores potencializadores da criminalidade, gestão e urbanização.

Segundo Mariana Montoro, o primeiro plano de segurança tinha medidas mais estruturais e de mais impacto pois era necessário baixar rapidamente a taxa de homicídios. Já o segundo aprimora e aprofunda os conceitos do anterior e incorpora a avaliação e o monitoramento desse impacto. “Nessa segunda fase a fiscalização da lei de fechamento de bares foi aperfeiçoada, aumentamos o número de câmeras de vigilância e investimos na qualificação e capacitação dos profissionais da Guarda Municipal”, explica.

Um dos pontos-chave desse segundo plano de segurança é a criação de uma política de mediação de conflitos. Ao invés de recorrer à polícia sempre que ocorre um problema, com a figura do mediador – uma pessoa qualificada e treinada -, a população tem a possibilidade de resolver rapidamente problemas que às vezes se estendem por muito tempo ou provocam um grande desconforto.

Segundo Regina Miki, a segunda fase do Plano Municipal de Segurança trouxe avanços nas áreas de gestão e urbanização. Ela cita como exemplo o fato de hoje apenas 1% da população do município morar em barracos contra os 3% anteriores ao plano. Ela também aponta os avanços na gestão de políticas públicas implementadas em conjunto pelas várias secretarias e não só pelo setor de segurança. “Segurança pública não se faz só com policiamento. A prevenção deve ser feita no ambiente urbano e tem que envolver ações pelo esporte, cultura, lazer, educação e saúde”, defende.

mariana_montoro.jpgJá Mariana Montoro destaca os investimentos na capacitação da Guarda Municipal e a conscientização dos policiais e da população em relação à ameaça que as armas de fogo representam. “O que ainda não conseguimos”, afirma Mariana, “é pensar além da lei de fechamento de bares educando também donos de supermercados a não vender bebidas alcoólicas para jovens com menos de 18 anos”.

Mas as conquistas recentes não significam que o trabalho em relação à segurança pública terminou. Apesar de Diadema poder ser considerada uma cidade segura, ainda há muito o que fazer, segundo a secretária, pois, com a diminuição do número de homicídios, aparecem outros crimes que também têm que ser combatidos. “O crime de homicídio, que era o foco dos planos de municipais de segurança, está sob controle. O que nos preocupa hoje são os crimes contra o patrimônio e tráfico de drogas”.

“Não tem milagre. É necessário que os dois lados, Estado e sociedade, estejam dispostos. Os desafios continuam pois não podemos perder o que já conquistamos”, completa Mariana.

Comentários

Desafios Constantes

"Mas as conquistas recentes não significam que o trabalho em relação à segurança pública terminou..."

Parabéns pelo trabalho! Sou uma daquelas que após muitos anos observando a violência, resolvi também arregaçar as mangas e fazer valer uma representação da sociedade civil, pois a segurança é responsabilidade de todos. São constantes os desafios porém pensemos sempre que, se podarmos a árvore sempre, aos poucos ela ganhará as formas que quizermos e certamente não crescerá desordenamente e por muitas vezes sufoca outras plantas do jardim e até invadindo o terreno do vizinho. O mais importante é que tenhamos sensibilidade para percemos as constantes mudanças, muitas vezes os políticos, nossos representantes quando chega ao poder, esqueçe e ignora a demanda que parte da sociedade, então, se tivermos alguém inserido lá na comunidade com certeza será mais legitimo seu questionamento e a busca da solução às vezes demanda algo muito simples.

GGI-M - Diadema - união entre sociedade e governo dá certo

Compromisso, e responsabilidade integrada, esse foi sem dúvida, o duo que fortaleceu em Diadema, um novo conceito de Segurança Pública, onde o Estado ( aqui representado pelo município)interage com as forças policiais, e Guarda Municipal aliada a participação da comunidade envolvida.
O plano Municipal de Segurança Pública de Diadema, não poderia deixar de ter sido implementado da forma que foi. A primeira parte, diriamos que emergencial, teve de ser de fato impactante e imediata, pois o índice de homicídios, estava fugindo ao controle da propria estatística, dada a evolução de seu crescimento, essa fase deu frutos, pois foi posta em prática de forma ostensiva e repressora como que um" tratamento de choque " na criminalidade, dando enfim, os resultados esperados.
A segunda parte, diriamos mais "rebuscada" aprimorando ações programas e atitudes em prol da manutenção do combate a criminalidade de uma forma mais educativa e participativa.
poderiamos dizer que a grosso modo, a primeira fase procurou" cortar o mal pela raiz", pois a situação de momento assim o pedia, ao passo que na segunda, o aprimoramento e a manutenção das ações e intenções foram suas linhas de conduta.

GGI-M

Espero que outras cidades imitem a iniciativa do município de Diadema! O que nos falta é compromisso!!!

Comentário

Diadema: união entre governo e sociedade dá certo

Sem dúvida, a união entre governo e sociedade tem tudo para dar certo, independente de qual seja a cidade e seus habitantes. Trabalhar com segurança pública sem o apoio da sociedade e órgão que direta ou indiretamente tratam sobre segurança é muito difícil e quase impossível de se alcançar os objetivos que é a segurança para todos.
Estão de parabéns todas as pessoas que dedicam momento de suas vidas para o bem estar social.

Plano de Segurança Pública em Diadema-SP

Parabéns a todos de Diadema que participaram do Plano de Segurança Pública local, o qual vem apresentando extraordinária redução de homicídios. A participação da sociedade civil é imprescindível para a realização de uma política de segurança pública verdadeiramente democrática e que busca atender a prioridade da comunidade. Afinal, segurança pública é dever do Estado, mas responsabilidade de todos. Ideias como essa precisam ser implementadas por todo o país.

comentário

É com exemplos como este de Diadema que a criminalidade e violências serão vencidas. A segurança pública é função das polícias e do Estado, mas a participação da sociedade civil é primordial, quer discutindo e apontando os diagnósticos da realidade local, quer sugerindo e participando das soluções. Outro aspecto relevante são as políticas de prevenção, como a mediação de conflitos, urbanização de áreas, profissionalização dos adolescentes. o que aliado com a repressão segura, os resultados aparecerão, como no bom de Diadema, que pode ser seguido por muitos outros municípios.

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