O império das casas abandonadas
As casas abandonadas dos grandes centros, onde crianças e adolescentes excluídos buscam abrigo, são um mundo à parte. Nelas, indiferentes ao sistema legal, ético ou moral da sociedade, os jovens constroem regras e comportamentos próprios, formando uma espécie de reino. Foi essa percepção que levou o tenente coronel Roberson Luiz Bondaruk a batizar de “O império das casas abandonadas: crianças e adolescentes “de rua” e a polícia” o livro resultante de sua pesquisa, realizada em 2005 nas ruas de Curitiba.
Comandante do Regimento de Polícia Montada Coronel Dulcídio, do Paraná, Bondaruk contou com a ajuda de educadores de rua, que têm acesso e desfrutam da confiança dos meninos,. “A condição de policial poderia mascarar as respostas dadas por eles”, explica.
Ao longo de cinco meses, os educadores colheram 415 depoimentos de crianças e adolescentes. A pesquisa também entrevistou 330 policiais militares. “A realidade das ruas é muito diferente do que as luzes e o colorido da cidade grande mostram. Este livro é uma tentativa de mostrar a realidade das questões de Segurança Pública na opinião de pessoas que normalmente não são chamadas ao debate: policiais militares e crianças e adolescentes em situação de risco”, diz Bondaruk.
O oficial afirma que estes jovens costumam ser acusados de serem os principais responsáveis da insegurança, mas não se buscam subsídios técnicos para que a sociedade e o poder público possam juntos encontrar soluções ao momento social que o país atravessa.
A renda da primeira edição, já quase esgotada, foi repassada para a Casa dos Meninos de Quatro Pinheiros, uma casa de apoio para meninos egressos da rua, que atende a 80 meninos, dando-lhes abrigo, proteção e condições de educação dignas. “Estamos buscando patrocínio para a segunda edição, pois temos recebido um número muito grande de pedidos de ONGs de Direitos Humanos, Conselhos Municipais e Estaduais de Direitos, entre outros”, diz o autor.
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