Projeto muda a visão de jovens em relação à polícia

Uma iniciativa conjunta do 3º Batalhão de Polícia Militar de São Paulo e de jovens da Escola Estadual Salvador Moya, no bairro Cidade Vargas, distrito de Perus, fez nascer o projeto Jovens Construindo a Cidadania (JCC), inspirado em um programa parecido implantado nos Estados Unidos em 1979.

O JCC começou a atuar na região em 1999 e tem como foco principal fortalecer e estimular o jovem no combate e resistência à violência. Para isso, o programa conta com alunos da escola, com idade entre 12 e 18 anos, que são voluntários no trabalho de conscientização dos jovens da escola e da comunidade.

Segundo o soldado Luciano Pereira, orientador do grupo, de cada sala de aula saem dois alunos e o critério de escolha é o desejo de mudança e a vontade de trabalhar na construção de uma realidade diferente. “Meu papel no projeto é indicar e organizar os jovens para que eles exerçam um trabalho de cidadania”, explica.

Jovens exercem papel importante no controle da violência

O soldado conta que uma das atividades realizadas pelo JCC é a Patrulha Jovem, onde os voluntários identificam possíveis problemas estruturais para preparar palestras e orientar jovens para que não se envolvam em atividades criminosas.

Yvani Alves, 19 anos, é presidente do conselho jovem da Escola Parque Anhangüera e atua junto aos alunos de lá. “Tivemos problemas com a presença de gangues na escola, que intimidavam outros alunos e agiam com violência”, conta. Através de palestras e encontros religiosos com os envolvidos, as gangues foram aos poucos desmanteladas e seus integrantes retornaram ao convívio pacífico com os demais estudantes e com a comunidade.

Quebra de paradigmas

Yvani conta que antes do projeto a imagem da polícia era negativa. “Tinha a impressão de que os policias não tinham respeito conosco, que queriam apenas nos abordar na porta da escola, nos agredir fisicamente e nos ofender”, relata. A distância que separava essa polícia dos jovens parecia intransponível, mas foi vencida com conversa e trabalho responsável.

O exemplo de Yvani veio de casa. Seu irmão mais novo passou a trabalhar como voluntário no JCC e ela percebeu mudanças em seu comportamento. Isso estimulou a jovem a seguir o exemplo e também ingressar no projeto.

A partir de então, seu comportamento mudou também, junto com suas impressões sobre a polícia. “Entendi que em todo lugar há pessoas que fazem o mal e o bem”, analisa. “E pude ver que existem policiais interessados em fazer o bem para nossa comunidade”, acrescenta.

O soldado Luciano admite que foi difícil vencer a resistência. “Quando entrávamos na escola, não éramos bem aceitos, as pessoas acreditavam que a função da polícia era repressora”, afirma. Mas as atividades realizadas pelo 3º BPM fizeram com que esta imagem fosse gradualmente desconstruída. “Colocar-se junto aos jovens e trabalhar com eles ajudou a quebrar o paradigma de que a polícia é truculenta”, explica.

Por outro lado, o comportamento dos jovens atendidos pelo projeto também mudou em relação à família, à escola e à própria polícia. “Os alunos passam a ter uma relação diferente com o mundo porque se sentem responsáveis e importantes no processo de construção de uma nova realidade”, afirma Yvani.

Quanto a ela, não resta dúvidas de que o trabalho no JCC foi transformador: “Mudei meu modo de pensar e hoje em dia quero ser policial militar”, conclui.

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Jovens Construindo a Cidadania

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