Tecnologia da informação faz crime cair em São Paulo
Apesar dos ataques do PCC em São Paulo a partir de maio, os crimes violentos - homicídios, latrocínios, seqüestros, estupros e roubos - estão em queda no estado e já equivalem aos índices de 1998. As estatísticas trimestrais da criminalidade divulgadas mês passado pela Coordenadoria de Análise e Planejamento da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (CAP) mostram uma queda de 5,42% desses crimes no estado, em comparação com o segundo trimestre de 2005. Na capital a redução foi de 7,36% e na Grande São Paulo de 8,54 %.
Outro dado marcante é o número de homicídios por semestre, que em cinco anos caiu 50,7% no estado. Foram 3.292 de janeiro a junho deste ano - a metade dos 6.676 casos registrados nos seis primeiros meses de 2001 e 16% a menos dos 3.926 ocorridos no primeiro semestre de 2005. O índice de estupros também registrou os menores índices desde 1995, caindo 14,19% em relação a 2005, com 134 casos a menos. Episódios de roubo seguido de morte também recuaram aos níveis de 1995, representando 0,1% do total de roubos.
Para o sociólogo Túlio Kahn, coordenador da CAP, o quadro indica melhorias na atuação e na estrutura policial. Ele cita o desenvolvimento do Infocrim, o sistema eletrônico de informações criminais, como um fator determinante para a redução.
Kahn explica que o Infocrim representa uma mudança de filosofia e gerenciamento que segue os moldes do Compstat, de Nova York, com um sistema de metas e reuniões bimestrais que reúnem comandantes de companhias e titulares de distritos. Os oficiais preenchem planilhas e, a partir de análises estatísticas, são discutidos planos de ação.
De acordo com Antônio de Arimatéia, gerente de projetos do Grupo de Tecnologia da Informação da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, pode-se afirmar com tranqüilidade que a tecnologia da informação colabora significativamente para a redução da criminalidade. Mas ele ressalta que isso só acontece se os investimentos forem voltados para ferramentas de coleta, tratamento, disponilibização e distribuição de informação criminal - como é o caso do Infocrim - e não apenas para a compra de equipamentos.
Perguntado se seria possível medir o quanto a tecnologia pode influir na queda do crime, Arimatéia afirmou que nenhum estudo preciso foi elaborado neste sentido. “Porém, a SSP fez importantes alterações no Infocrim que permitirão a sua realização. A base destes estudos será a avaliação do comportamento de uso do Infocrim pelos policiais cadastrados frente aos índices criminais das suas áreas. Ou seja, temos a intenção de provar que regiões onde o uso do Infocrim é maior e melhor, os índices apresentam maior queda”, explicou.
Ele cita como exemplo prático dos bons resultados alcançados pela aplicação do Infocrim o caso das Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (Rocam) da PM, que, a partir de pesquisas realizadas através do sistema, praticamente eliminaram as ocorrências de roubo nas principais avenidas de São Paulo nos horários de pico. “A análise dos dados permitiu uma melhor distribuição das equipes nos locais e períodos mais críticos”, concluiu.
Os dados da criminalidade em São Paulo estão disponíveis na seção de estatísticas do site da Secretaria de Segurança Pública.
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