ONG assume jovens em liberdade assistida na Zona Sul de São Paulo

socialbomjesus2.jpgJovens entre 15 e 16 anos acusados de tráfico de drogas e roubo. Este é o perfil médio do público atendido pelo Serviço Social Bom Jesus, ONG paulista que nasceu em 1981 e desde 2001 atende a adolescentes em conflito com a lei em cumprimento de medida de liberdade assistida na Zona Sul de São Paulo.

Os adolescentes são encaminhados para o projeto depois de passarem pelos órgãos de justiça responsáveis. Assim que recebem a sentença, seus dados são passados para o Social Bom Jesus, que trabalha com eles para formular uma estratégia de atendimento ao adolescente e à sua família.

O projeto Liberdade Assistida (LA) atende os bairros Capão Redondo e Jardim São Luiz, que até 2001 não tinham nenhuma entidade que prestasse o serviço. Em parceria com o governo do estado e a prefeitura de São Paulo, o projeto atende hoje a 100 jovens da região.

Reincidência menor que a da Febem

Os níveis de reincidência entre menores de 18 anos em liberdade assistida são baixos se comparados aos do sistema de internação. De acordo com Claudia dos Santos Ribeiro, coordenadora do LA há três anos, em 2005 a reincidência quantitativa foi de 20%. “Para os jovens que reincidem antes de atingir a maioridade, o índice do Social Bom Jesus é próximo à metade do da Febem (Fundação Estadual do Bem-estar do Menor)”, comemora.

Segundo estudo realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em 2004 e divulgado este ano, dos jovens egressos do regime de internação na Febem de São Paulo, cerca de 38% voltaram à instituição.

Claudia avalia que os dados sobre a reincidência dos jovens atendidos pelo programa de liberdade assistida do Social Bom Jesus não são mais precisos por não haver cruzamento com dados de outras instituições. “Aqueles que reincidem depois de completar 18 anos não são enviados para cá e ficamos sem esses números”, exemplifica.

Estímulo ao protagonismo

No projeto, além das atividades tradicionais relacionadas com a sentença, o jovem recebe capacitação profissional. “Oferecemos cursos de alfabetização, capoeira, oficinas de grafite e de telemarketing, por exemplo”, enumera. “Buscamos atender à demanda do jovem e tentamos oferecer aquilo que eles mostram ser de seu interesse”, explica.

bomjesus2.jpgO resultado das atividades foi mostrado sábado, dia 26 de agosto, em uma exposição de trabalhos dos jovens na instituição. “Tivemos participação dos próprios adolescentes, da família e da comunidade, que demonstrou envolvimento com o projeto”, conta Claudia.

O atendimento individual é feito por uma dupla de profissionais da área de humanas, que auxilia o jovem na obtenção de documentos, regularização escolar e assistência jurídica. Para os casos que demandam um acompanhamento mais intenso, o adolescente é encaminhado a postos médicos conveniados onde recebe atendimento psicológico, psiquiátrico e, se for o caso, de auxílio à drogadição.

“Todas as atividades são elaboradas para estimular o protagonismo desse jovem e permitir que ele possa seguir seu caminho dali em diante”, conta Claudia. Para isso, aqueles que chegam ao projeto são divididos em grupos temáticos onde recebem aulas de cidadania, sexualidade, entre outros.

Família também recebe acompanhamento

Os familiares do adolescente sentenciado à liberdade assistida recebem uma orientação específica, com atendimento semelhante. “As atividades não são focadas no problema do jovem apenas, mas fazem parte de um processo de ajuda na reestruturação da família”, explica Claudia.

Para isso há palestras que falam de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, planejamento familiar e tratamento médico para os casos de drogadição. A família recebe também orientação jurídica e seus membros têm direito a acompanhamento individual, para que o processo de reinserção social do jovem seja contínuo e conte com a participação dos familiares.

Em outros sites:

Social Bom Jesus

Comentários

ONG assume jovens em liberdade assistida

Muito interessante esta iniciativa. A internação não é o melhor método de reeducar um jovem em conflito com a lei, ainda em formação social e psicológica. Um projeto como este, que ofereça capacitação profissional, atendimento individual e ainda proporcione um acompanhamento familiar é muito importante para ajudar não somente os milhares de jovens em liberdade assistida assim como a sociedade em geral.

ONG assume jovens em liberdade assistida em São Paulo

O retorno de jovens em conflito com a lei ao convívio social é dificultado pelo preconceito da sociedade. A discriminação está nas negações: o não do empregador, o não dos familiares e o não dos amigos. Todos esses impedimentos, muitas vezes, desencorajam ex-infratores e os fazem aceitar uma realidade que poderia ser modificada. A pesquisadora da Universidade de São Paulo, Rosalina Carvalho da Silva, que apresentou, no 11° Congresso Mundial de Saúde Pública e 8° Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, seu trabalho com jovens da Febem de Ribeirão Preto, relatou uma declaração preocupante. Quando fazia um trabalho de prevenção de DST com os menores daquela Instituição, um deles disse: "não se preocupe conosco, aqui ninguém vai morrer de aids, vamos todos morrer de tiro." Essa aceitação de uma realidade cruel precisa ser refletida pelos setores responsáveis da sociedade e O.N.G.s que interfiram, são muito bem-vindas. Quem abriria a porta para um ex-infrator pedindo emprego? A discussão não pode ser restrita somente aos mesmos. A sociedade precisa mudar paradigmas, sob pena de ser conivente com a discriminação. Ã? necessário discutir a reintegração de jovens e tirar o preconceito de familiares e possíveis empregadores. O trabalho precisa ser conjunto.

liberdade assistida

Sou estágiaria em um programa de liberdades assistida comunitária, muito parecida com este, gostei muito da métodologia deste projeto, observa se a preocupação da inserção das familias na vida social dos adolescentes, assim consequentemente os adolescente no convivio familiar.

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