Polícia ajuda comunidade do Cavalão, em Niterói

Por Adriana Lacerda, Lis Moriconi e Marina Lemle
Fotos de Tony Barros, Walter Mesquita e Mayra Jucá

Cel.Braga_beija_menina_peq.jpgCooptar crianças e jovens para o crime não é mais tarefa fácil para os traficantes do morro do Cavalão, em Niterói, estado do Rio de Janeiro. Implantado em 2002, após um protesto de moradores pela morte de um jovem da comunidade em decorrência de violência policial, o Grupamento de Policiamento em Áreas Especiais (GPAE) trouxe nova proposta de atuação, voltada para a prevenção. Em parceria com a sociedade civil organizada, o GPAE começou a oferecer atividades educativas, culturais e esportivas a crianças e adolescentes, com o objetivo de afastá-las do “mau caminho”. O resultado foi a diminuição da tensão no morro e a melhora da relação entre policiais e comunidade.

O Cavalão hoje é um exemplo, no estado do Rio, de sucesso da integração entre ONGs, polícia militar, poder público e comunidade. Em parceria com a ONG Gente Brasil, o GPAE desenvolve projetos culturais e educativos como aulas de balé, hip hop, artes plásticas e esportes, além de organizar eventos festivos em datas como Dia das Crianças, das Mães, Natal e Páscoa, quando as crianças recebem brindes doados por comerciantes de Niterói.

criancas_cavalao_peq.jpgO foco das ações são crianças de até 14 anos, faixa etária considerada pelos policiais a mais propícia para afastá-las da violência, representada principalmente pelo tráfico de drogas. A idéia é que, ocupando o tempo e a mente das crianças com atividades educativas, culturais e esportivas, resta pouco espaço para as influências negativas. O trabalho do GPAE na comunidade, diário, desenvolve entre policiais e moradores uma cumplicidade hoje já sedimentada.

Noruega deverá apoiar projetos

 

prefeito_ministro_capoeira_.jpgEm 16 de agosto, o ministro da Cooperação Internacional da Noruega, Erik Solheim, foi ao Cavalão para conferir a iniciativa. Foi recebido com festa: teve capoeira, maculelê, show de banda formada por civis e militares e jogo de futebol feminino. O evento teve como objetivo discutir o apoio do país, que já tem diversos investimentos comerciais em Niterói, a projetos de desenvolvimento social no local. As metas estão de acordo com as diretrizes do novo governo norueguês, que assumiu em outubro de 2005, e vem incrementando o esforço internacional para o cumprimento das oito metas da ONU para o terceiro milênio.

 

"Com a visita pude perceber que o Cavalão, assim como um cavalo grande, está cavalgando para o sucesso", brincou Solheim. Ele deixou registrada a sua intenção de levar o contato adiante: “Nós, da Noruega, queremos colaborar, sobretudo para a criação de oportunidades para o futuro das crianças que vivem aqui”. 

Policiais ajudam no dever de casa

Presente ao evento, o coronel Jorge Braga, comandante do CPAE (Comando de Policiamento em Áreas Especiais), contou que recentemente a polícia ajudou a ampliar as dependências da Associação de Moradores, doou uniformes para o futebol feminino e pipas para crianças, além de prover atividades como ginástica, ballet e tratamento odontológico. “Os policiais até ajudam crianças com o dever de casa, no papel de professores particulares. Também estamos considerando oferecer aulas de xadrez e dança de salão”, acrescentou. Ele disse que a maior parte das atividades surgem em parceria com ONGs e governos, e em alguns casos, com pessoas de entidades privadas, como colégios particulares.

De acordo com o coronel Braga, os policiais do GPAE têm alto grau de comprometimento com o trabalho e bastante liberdade de ação no dia-a-dia, interagindo de perto com a comunidade nas rondas a pé. “Isso faz com que a sua auto-estima vá lá pra cima. A população é parceira, passa a acreditar neles, passa informações sobre crimes e também denuncia os maus policiais”, contou.

comuna_cavalao.jpgPara o coronel Ubiratan Ângelo, diretor de ensino e instrução da PM, a instalação do GPAE no morro foi um divisor de águas. “Certamente podemos falar que há o Cavalão antes e depois do GPAE. E a presença das ONGs também contribui para esse avanço”, diz. Ele acrescenta que o GPAE é caro, já que precisa de um efetivo grande. Mas diz que o investimento vale a pena: “Quando a polícia garante a tranqüilidade da população, a comunidade se preocupa menos com tiro e mais com infraestrutura.”

A comunidade do Cavalão possui cerca de 8 mil habitantes, segundo relatório produzido em 2005 pelo Centro Latino Americano de Estudos da Violência e Saúde Jorge Careli (Claves/Fiocruz). O morro tem mais de 50 anos e é habitado por uma população oriunda majoritariamente da própria cidade de Niterói, mas também há moradores provenientes do interior do Estado do Rio de Janeiro e de outros estados do país.

Gravidas_peq.jpgEntre os trabalhos desenvolvidos no morro a partir de parcerias, destacam-se as aulas de ballet clássico, hip hop e musicalização e as oficinas de linguagem e de circo da ONG Gente Brasil; o projeto Ana e Maria, de apoio a adolescentes grávidas; e o Telecentro, um projeto de inclusão digital da Prefeitura de Niterói. Futuramente, será instalado no Cavalão também um projeto de resgate para jovens que queiram sair do tráfico.

Vale destacar também a importância para a comunidade local do Plano Municipal de Prevenção da Violência, resultado de um contrato entre a Prefeitura Municipal de Niterói e o Viva Rio, com verba as Secretaria Nacional de Segurança Pública do Governo Federal (Senasp). O Plano institui a implantação de programas de prevenção da violência com soluções ajustadas aos contextos de cada localidade. Nesse sentido, o morro do Cavalão já é um caso de sucesso.

Galeria de fotos

Comentários

Colaboração em Projetos Sociais.

Prezado (a), boa tarde.
Trabalho na AMPLA na área dos PROJETOS SOCIAIS e estamos pretendendo atuar em alguns morros de Niterói, Rio de Janeiro, com diversas ações.
Gostaria de contar com a sua colaboração em relação aos contatos de INSTITUIÇÕES governamentais ou não para que possamos estar fechando parcerias no sentido de atuação sem riscos.

Desde já agradeço a atenção.

Atte.
Marco aurélio

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