Encontro em Genebra discute violência armada e desenvolvimento

Os danos causados pelos conflitos armados à economia dos países pobres é o temas principal da conferência internacional que começa nesta quarta-feira (7) em Genebra, na Suíça, sobre armas de fogo e desenvolvimento humano.


A conferência, organizada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), pretende impulsionar os esforços internacionais no sentido de restringir o uso de armas de fogo no mundo. De acordo com o PNUD, a queda do Produto Interno Bruto (PIB) de países em situação de conflito armado chega a 15% e o número de pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza chega a aumentar até três vezes.


Representantes de 50 países vão participar do encontro além de representantes do Banco Mundial, do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e de ONGs de diversos países. Ao fim do encontro será redigida uma Declaração de Genebra sobre violência armada e desenvolvimento segundo a qual os estados signatários se comprometem a tomar medidas para reduzir o uso de armas de fogo e promover o desenvolvimento.


Segundo o ministro do exterior da Suíça, que estará presente na reunião, outra intenção é levar à Assembléia Geral da ONU um acordo internacional para marcação e rastreamento de armas de fogo. A reunião acontece às vésperas da Convenção para revisão do Programa de Ação da ONU sobre armas pequenas que vai acontecer em Nova York no início de julho.


Entre os países que particparão do encontro estão Inglaterra, França, Libéria, Serra Leoa, Guatemala e Afeganistão. Estados Unidos e Rússia não foram convidados. De acordo com o PNUD, os países que estão presentes no encontro são aqueles gravemente afetados pelas armas de fogo ou que têm mostrado comprometimento em combater o problema da violência armada.


Para Keith Krause, diretor do Small Arms Survey, a Declaração de Genebra vai começar pequena mas tenderá a crescer em torno de uma agenda liderada por países que trabalharão à frente do processo das Nações Unidas. "O processo da ONU é importante, mas existem problemas relativos à questão humanitária e ao desenvolvimento das comunidades que devem ser tratados de forma mais flexível e coerente", afirmou em declaração à imprensa.


De acordo com dados do Small Arms Survey, as cerca de 600 milhões de armas de fogo pequenas e leves em circulação no mundo são responsáveis pela morte de 600 mil pessoas todos os anos. Dessas, 60% estão nas mãos da população civil.


Programa de Ação da ONU (em inglês)


Relatório Small Arms Survey 2005 (em inglês)


Fontes: Swissinfo e Reuters


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