Iansa: armas de fogo são uma epidemia global
O relatório de 2006 da Rede de Ação Internacional sobre as Armas (Iansa) "A crise mundial de armas sob controle" (Bringing the Global Gun Crisis Under Control), compara a proliferação global de armas pequenas a uma epidemia que tem que ser controlada urgentemente. O relatório descreve as dimensões da ameaça que as armas de fogo representam e que afeta todos os países do mundo. De acordo com o documento, as armas pequenas causam a morte de mil pessoas por dia.
Segundo dados do relatório, as cerca de 640 milhões de armas em circulação no mundo - mais oito milhões produzidas a cada ano -, representam uma média de uma arma para cada dez cidadãos do planeta. Dessas, a maior parte (59%) estaria nas mãos de civis. Somados às armas, estão de 10 bilhões a 14 bilhões de cartuchos de munição produzidos anualmente - o que seria suficiente para matar toda a população mundial duas vezes, segundo a Iansa.
Para Rebecca Peters, diretora da rede, a proliferação das armas é uma epidemia que precisa de ações internacionais imediatas. "Se mil pessoas estivessem morrendo por dia por causa da gripe aviária, por exemplo, com certeza algo já teria sido feito", afirma.
Quem abastece o mercado ilegal é o comércio legal. A grande maioria das armas é fabricada, comercializada e comprada legalmente - parte cai depois na ilegalidade. Ao contrário de artilharia pesada como tanques e canhões, as armas pequenas são fáceis de usar, transportar e carregar através das fronteiras. O monitoramento deste tipo de armamento também é mais difícil.
Apesar de a epidemia continuar a se espalhar, a comunidade internacional tem falhado em encontrar soluções para a crise, aponta o relatório. As Nações Unidas sediaram o primeiro grande encontro sobre o tema cinco anos atrás. O segundo vai acontecer em junho. Apesar de estar clara a necessidade de ações urgentes, existe o temor de que, mais uma vez, se perca a oportunidade de avançar no assunto.
Governos de muitos países - Brasil inclusive - estão reformando sua legislação para lidar com a questão das armas. Para Rebecca Petters, cabe a esses governos apresentar no encontro de junho as lições aprendidas e que podem ser aplicadas em nível global. "O comércio internacional de armas deve ser controlado. Esperar mais cinco anos significa condenar à morte quase dois milhões de pessoas", prevê.
O relatório da Iansa indica quatro áreas chave para ação:
- criação de padrões globais para regular a transferência internacional de armas
- controle de armas nas mãos de civis
- incorporação da prevenção à violência armada nos projetos de desenvolvimento
- previsão de assistência às vítimas da violência armada
Com relação ao número e à distribuição das armas no mundo, o relatório revela que 84 milhões de armas estão na Europa; entre 45 milhões e 80 milhões estão na América Latina; entre 58 milhões e 107 milhões estão no Oriente Médio; entre 22 milhões e 42 milhões estão na Ásia; e 30 milhões estão na África. Ainda de acordo com o documento, os Estados Unidos podem ter até 268 milhões de armas dentro do território nacional.
Fonte: Iansa
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