Sul-africanos querem um país livre das armas
A maioria dos sul-africanos quer um país livre das armas de fogo. A conclusão é uma pesquisa realizada na África do Sul pelo instituto de pesquisas Research Surveys South Africa que mostra que mais de dois terços da população aprova uma política de combate às armas de fogo. O estudo mostra também que a população é a favor de penas mais rígidas para crimes que envolvam posse de armas ilegais.
De acordo com a pesquisa feita com base em entrevistas com duas mil pessoas moradoras de centros urbanos, 68% dos entrevistados apóiam uma sociedade "livre das armas". Os dados demonstram, no entanto, diferenças significativas entre os grupos étnicos. Entre os negros, 72% aprovam o fim das armas de fogo; entre os indianos, a aprovação ficou em 82%; enquanto apenas 51% dos entrevistados brancos tinham a mesma opinião.
Para Adele Kirsten, pesquisadora do Instituto de Estudos da Segurança (Institute for Security Studies – ISS), da África do Sul, não surpreende que as pessoas que mais desejam uma sociedade livre das armas sejam as que sofrem mais os efeitos da violência armada, os negros, como revelou o estudo.
As respostas também variaram conforme a localidade. Dos entrevistados que moram em Durban (cidade de maioria negra), 78% disseram querer se ver livre das armas. Na Cidade do Cabo (capital legislativa) esse índice caiu para 70%; em Gauteng, 65%; e em Bloemfontein, apenas 38% disseram querer uma África do Sul sem armas.
Ainda de acordo com a pesquisa, a grande maioria disse ser a favor de punições mais severas a quem possuir armas ilegais: 82% concordaram com penas de mais de 10 anos. Para o coordenador da pesquisa, Neil Higgs, parece existir uma concordância geral de que o crime (e a posse de armas) está fora de controle e que são necessárias medidas enérgicas contra as atividades que envolvem armas de fogo.
Entre 2001 e 2004, o número de mortes por armas de fogo na Cidade do Cabo, capital legislativa da África do Sul, caiu de 34 por cem mil habitantes para 18 por cem mil, de acordo com dados do Sistema Nacional de Monitoramento de Mortalidade. A Lei de Controle de Armas da África do Sul que entrou em vigor em 2004 e aumenta as restrições para o uso de armas de fogo por civis, prevê 25 anos de prisão para posse de armas ilegais.
As armas de fogo são responsáveis pela maior parte das mortes violentas no país. De acordo com um levantamento da Universidade da África do Sul, 46% dessas mortes são causadas pelas armas sendo maioria jovens entre 25 e 29 anos. Em 2005, o governo decretou um período de seis meses de anistia para entrega de armas de fogo ilegais. Foram recolhidas mais de 94 mil armas.
Lei de Controle de Armas da África do Sul
Fontes: Cape Times, Beijing Time
Ver também:
Pesquisas avaliam papel das armas de fogo nas mortes violentas na África do Sul
Analizaron en Sudáfrica el impacto de la violencia armada en las políticas sanitarias
Mais de 94 mil armas de fogo são recolhidas durante anistia na África do Sul







