População de Angola terá programa de treinamento contra minas terrestres
A Cruz Vermelha vai implementar um programa nacional de conscientização da população em relação às conseqüências da presença de minas terrestres em Angola. Segundo o coordenador da organização no país, Kiala Simão, o programa se estenderá até o fim deste ano. Os treinamentos começaram em abril nas províncias de Bengo, Moxico e Huambo onde as campanhas estão sendo direcionadas às comunidades de maior risco como camponeses e pescadores.
Segundo Simão, o objetivo da campanha é alertar as populações para os perigos das minas terrestres e ensiná-las a denunciar os locais onde pode haver minas enterradas. Ele afirmou que o programa ainda não foi implementado completamente devido á dificuldade de acesso às áreas afetadas.
Mais de cinco mil pessoas já receberam treinamento em Benguela e Bié com a participação de 30 voluntários. Os voluntários trabalham com apoio financeiro e material do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).
Angola é um dos países mais afetados pelas minas terrestres no mundo. Estima-se que existam cerca de quatro mil campos minados no país. Segundo a organização Landmine Monitor (LM) mais de 20 milhões de metros quadrados de terra foram desminados em Angola entre 1999 e 2003. Ainda d acordo com o LM, nesse mesmo período, foram registrados cerca de três mil acidentes com minas terrestres no país.
Apesar da existência de um tratado global para com as minas, a Convenção de Ottawa, que prevê a proibição do uso das minas anti-pessoais e sua destruição até 2009, cerca de 15 mil pessoas morrem ou são feridas pelas minas terrestres todos os anos no mundo.
Em dezembro de 2004, uma reunião de cúpula realizada em Nairóbi, no Quênia, determinou a formulação de um Plano de Ação onde estão definidas as metas para os 144 países membros do tratado.
Fontes: Angola Press e ICBL
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