EUA: tráfico de pessoas faz até 800 mil vítimas por ano em todo o mundo
Os Estados Unidos acusaram na segunda-feira dez países por não se empenharem contra o tráfico de milhares de pessoas, que são reduzidas à prostituição e à escravidão todos os anos. Segundo o relatório "Tráfico de Pessoas", divulgado nesta segunda-feira (14) pelo Departamento de Estado norte-americano, cerca de 70% das vítimas são mulheres e a metade, crianças.
O estudo estima que entre 600 mil e 800 mil pessoas sejam vítimas anualmente do tráfico humano. "Estamos falando de mulheres e de meninas de até seis anos sendo traficadas para a exploração sexual comercial, de homens sendo traficados para o trabalho forçado, de crianças sendo traficadas como soldados infantis", afirmou o secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, ao apresentar o relatório
Powell disse ainda que o tráfico humano é "uma ameaça à segurança global, porque seus lucros financiam ainda mais crimes e violência, incluindo, muito provavelmente, a violência terrorista". O relatório não apresenta, no entanto, evidências específicas ligando o tráfico humano ao terrorismo.
Sanções
Os dez países citados - Bangladesh, Coréia do Norte, Cuba, Equador, Guiana, Guiné Equatorial, Myanmar, Serra Leoa, Sudão e Venezuela - podem ser alvos de sanções, incluindo a suspensão da ajuda norte-americana que não for para fins humanitários ou comerciais.
Esses dez países aparecem na "categoria 3" da lista, onde a situação é mais grave. Powell disse que eles "não cumprem completamente os padrões mínimos [previstos nas leis norte-americanas] e não estão fazendo esforços significativos para isso". O Brasil foi incluído na "categoria 2".
Esses padrões mínimos exigem a proibição e punição de formas graves de tráfico, prevêem que a pena deve ser compatível com os crimes e defendem "esforços sérios e sustentados" contra o problema.
O relatório afirma que Bangladesh não conseguiu "fazer esforços significativos para processar os traficantes e examinar a cumplicidade das autoridades". O texto afirma ainda que "não existe" fiscalização no Sudão, e que a Venezuela não dedica "atenção e recursos" ao tráfico humano.
Categoria 2
O relatório coloca 42 países na "categoria 2" da lista. Além do Brasil, estão nesse grupo Japão, Rússia, Grécia, Turquia e Chipre. São nações que precisam de "escrutínio especial" e que podem ser rebaixados para a terceira categoria. O texto informa que o Brasil é "fonte e destino" de vítimas do tráfico humano e relata que há 75 mil brasileiras se prostituindo na Europa e 25 mil pessoas submetidas a trabalho escravo dentro do país.
Entre os países desenvolvidos, também a Suíça e a Finlândia estão na mesma situação. Segundo os americanos, estes países são pouco cuidadosos na concessão de "vistos para atividades de entretenimento", que acabam sendo usados para acobertar trabalhos sexuais. Só 25 países - quase todos da Europa Ocidental - cumpriram os padrões exigidos pelos EUA.
Soldados
Um dos problemas mais graves apontados pelo relatório é o recrutamento forçado de crianças para o combate em guerras. "O problema é mais grave na Ásia e na África, mas também vemos crianças vítimas deste recrutamento forçado em países da América Latina", afirma o relatório.
"Alguma crianças são seqüestradas e forçadas a lutar enquanto outras são convencidas por ameaças, subornos ou falsas promessas de recompensas. A decisão de um criança de se unir a um grupo armado não pode ser nunca considerada voluntária", diz o documento.
Fontes: BBC Brasil e Reuters
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