Bolívia decreta lei marcial após morte de 22 em choques de manifestantes e soldados
LA PAZ, Bolívia - O presidente Gonzalo Sánchez de Lozada decretou lei marcial nesta segunda-feira numa cidade que foi palco da morte de 22 pessoas no domingo e suspendeu um projeto controverso de exportação de gás natural para os EUA e o México - numa tentativa de desmobilizar protestos por sua renúncia que duram semanas e já mataram 30 pessoas.
A maioria das mortes ocorreu domingo de madrugada na cidade de El Alto - epicentro das manifestações - depois de Sánchez de Lozada ter enviado milhares de soldados e tanques ao distrito industrial empobrecido, para remover barricadas que impediam a chegada de alimentos e gasolina à capital, La Paz.
Soldados tentaram bloquear no domingo as principais estradas de El Alto, localizada a 16 quilômetros de La Paz, mas a medida não demoveu os manifestantes, que continuaram enfrentando, com armas de fogo e pedras, militares e tanques envolvidos na operação. Funcionários de ongs de ajuda humanitária disseram que a maioria esmagadora dos mortos é de manifestantes. Ao menos 90 pessoas ficaram feridas nos choques.
O governo afirmar que as manifestações são lideradas por opositores que querem promover um golpe de Estado. Nesta segunda-feira, dois homens foram mortos a tiros em El Alto, que está sob lei marcial desde a madrugada. Desde o início dos protestos, há semanas, 30 pessoas morreram, a maioria civis.
O projeto para exportar gás natural foi o pavio dos distúrbios. Sánchez de Lozada estuda vender gás das reservas bolivianas na região de Tarija, Sul do país, para os EUA e o México. Funcionários do governo estimam que as exportações gerariam cerca de US$ 1,5 bilhão para a Bolívia, país mais pobre da América do Sul. Mas líderes sindicais e indígenas - que acusam o governo de não conseguir lidar com a pobreza endêmica - afirmam que não serão beneficiados pelos acordos.
As manifestações, que se desenrolam por semanas, são apenas o mais recente problema para Sánchez de Lozada. Altamente impopular, o presidente que cresceu e foi educado nos EUA defende reformas de mercado e apostou muito de seu futuro político nas relações com o governo do presidente.
Publicada em: O Globo On Line
13/10/03







