El Salvador: jovens mulheres abandonam gangues e lutam por vida nova
6 de julho de 2006 - Com receio por saber que arriscam suas vidas, porém ansiosas para abandonar um passado de maus tratos, drogas e delinqüência, quatorze mães solteiras ex-integrantes de ‘pandillas’ lutam por reabilitação e reintegração na sociedade.
Acompanhadas pelos filhos, 22 no total, as mulheres têm orientação psicológica, fazem aulas de confeitaria, estética, artesanato e até artes marciais como parte do programa ‘mano extendida’ (em espanhol), que o governo oferece há um ano a ex-membros de gangues que queiram recomeçar.
“Faço isso por minha filha, para aprender coisas boas e esquecer o passado”, diz uma das 14 internas voluntárias da escola rural, que pediu para ser identificada como Isa devido ao risco de represálias por parte de membros de gangues.
De ‘pandilleros’ a microempresários
A escola rural é um projeto-piloto que planeja se estender por todo país. Funciona em um terreno de quase um quilômetro quadrado da região de Talcomunca, no município de Izalco, a aproximadamente 75 quilômetros a sudoeste da capital salvadorenha.
O secretário de juventude César Funes disse que, diferentes diagnósticos são feitos para identificar pessoas queiram sair das ‘maras’. Estas são encaminhadas a programas de reabilitação, entre eles a escola rural. “A primeira condição para a admissão é a pessoa reconhecer que está em mau caminho e querer mudar”, explica.
O objetivo é capacitá-las durante seis meses em confeitaria, agricultura, estética, artesanato, além de ajudá-las a se tornar microempresárias.
Ordem, disciplina, respeito e esforço
Vestido com seu uniforme preto, o instrutor e coordenador da escola rural Armando Echeverría pede atenção às alunas e relembra as regras. Isa, de 26 anos, na metade do curso de formação, responde com um grito: “Buscamos ordem, disciplina, respeito e esforço, senhor!”
Diferente de outras alunas que integraram as ‘pandillas’ rivais Mara Salvatrucha e Mara-18, Isa fez parte da Mara S-13, que tem San Francisco, Califórnia, como base. Foi para lá aos 11 anos, com sua mãe e oito irmãos. Devido a maus-tratos por parte de sua mãe, se incorporou a gangues aos 16.
“Dos 16 aos 18 anos estive na prisão. Como era parte da ‘mara’, fui presa por porte de arma e por venda de maconha. Também me viciei em drogas. Minha mãe ia à prisão, tentava me recuperar, mas já era tarde”, conta.
Isa foi deportada dos Estados Unidos há três anos e desde então tenta se reabilitar. “Quero mudar, dar um futuro melhor à minha filha para que ela não tenha que passar pelo mesmo que eu”, disse.
Enquanto a ‘ex-pandillera’ assiste às aulas, os coordenadores cuidam de sua filha na creche da escola. À noite a menina fica sob os cuidados maternos e durante o dia tem tempo para brincar.
Segunda geração
As alunas são parte da segunda geração de ex-membros de gangue, que começou o processo em 1 de fevereiro e terminará no fim de julho. Os participantes chegam cedo às segundas-feiras para um curso de cinco dias e às sextas-feiras voltam às suas casas, em diferentes partes do país.
O custo mensal de funcionamento da escola fica em torno de 10.000 dólares, vindos de ajudas internacionais e fundos do governo, que permitem oferecer alimentação, transporte, capacitação, cuidados médicos e uma cesta básica que os participantes levam para casa às sextas.
O primeiro grupo era formado por 20 jovens, que aprenderam técnicas agrícolas. Eles tiveram suas tatuagens removidas e tiveram aulas entre 14 de março e 30 de setembro. Alguns jovens agora têm pequenos comércios que lhes garantem a subsistência.
O secretário de juventude ressalta que conta com a ajuda da comunidade internacional paea estender as escolas-rurais para zonas onde os índices de violencia são considerados altos.
Fontes: Observatorio Internacional de Justicia Juvenil
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