Por uma agenda para as crianças de Medellín

Mobilizar cidadãos para criar uma agenda de proteção aos direitos de crianças e jovens envolvidos em violência armada organizada é o novo desafio do grupo de trabalho formado a partir do Projeto COAV Cidades em Medellín, Colômbia.

ivan-ramirez_rodrigues-mour.jpg“Há fatores comuns que provam que o fenômeno é global. No entanto, as soluções e sujeitos são diferentes para cada localidade, logo, é necessário adequar as estratégias e fazer pressão política para incluir o tema na agenda pública”, enfatiza Ivan Ramírez, coordenador do grupo de trabalho em Medellín.

Parte do programa sobre Crianças e Jovens em Violência Armada Organizada (COAV, na sigla em inglês), do Viva Rio, o projeto contou com grupos multidisciplinares que atuaram paralelamente em Niterói (Brasil), Zacatecoluca (El Salvador), Medellín (Colômbia) e Cidade do Cabo (África do Sul). Periodicamente, os representantes dos grupos se reuniram para trocar informações e experiências ao longo de 15 meses. O resultado foi um plano de políticas públicas para cada uma das cidades.

“Nosso desafio agora fazer com que os governos se comprometam em se adotar o plano e possibilitem sua exceução”, afirma Ilona Szabo, coordenadora do Programa de Segurança Humana do Viva Rio, ao comentar os resultados da primeira fase do projeto, durante o seminário “Crianças, armas e violência urbana”, realizado entre 1 e 2 de março no Rio de Janeiro.

“Políticas relativas à infância são, em geral, assistencialistas. Há necessidade de dar um enfoque de direitos e reavaliar o destino dos recursos”, observa Ramírez. Para o sociólogo, o trabalho de incidência também deve partir das organizações. “Nosso esforço agora é o de mobilizar atores como ponto de partida para a participação cidadã, essencial para o êxito de qualquer política pública”, afirma.

Como 2007 é ano de eleições municipais na Colômbia, durante os próximos oito meses grupo de trabalho de Medellín pretende realizar encontros e incentivar campanhas na cidade com jovens, meninos e meninas. O objetivo é ouvir suas preocupações e aspirações para apresentá-las aos candidatos à prefeitura junto com o plano de políticas públicas.

Entre os principais pontos do plano estão: a situação econômica, que aparece como a questão do emprego juvenil e renda familiar; educação; a abordagem sobre o tráfico e consumo de drogas, que inclui melhoras nos sistemas de prevenção e tratamento; a família; o controle de armas e a necessidade de transformar sua representação e criar outras formas de inclusão e reconhecimento para os jovens; a necessidade de oferecer atendimento psicossocial e de substituir medidas alternativas à internação, apostando na justiça restaurativa para jovens em violência armada.

“As políticas públicas devem ser integrais. Devemos agir para fortalecer as bases familiares, mas também lutar para um meio social mais justo. Também não podemos esquecer de oferecer opções culturais e artísticas para nossos jovens”, assinala Ramírez.

Além de mobilizar políticos e jovens, o grupo também prevê incidir sobre os meios de comunicação locais. “A pressão pública é fundamental. Só assim poderemos nos declarar uma democracia”, avalia.

Traduzido por Aline Gatto Boueri

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