Haiti correndo para a paz

chegada_corrida.jpgBrasileiros e haitianos unidos, durante uma manhã inteira, exclusivamente pela prática esportiva e pela paz. Embora o Haiti ainda seja um cenário de desolação após o terremoto, que completou um ano no dia 12 de janeiro, o esporte é, sim, um instrumento de integração, mudança e estímulo à autoestima. É nisso que acreditam os organizadores da Jornada Haitiana do Esporte pela Paz, um dos maiores eventos esportivos já realizados no Haiti e que aconteceu no último domingo, dia 23 de janeiro.

Uma corrida rústica de seis quilômetros pelas ruas da capital Porto Príncipe e a instalação de uma arena esportiva com diversas atividades em Kay Nou, sede do Viva Rio no Haiti, chamaram a atenção para a importância do esporte como uma ferramenta para a inclusão e reinserção social e para a redução da violência comunitária na região.

Aproximadamente 600 pessoas – entre 16 e 50 anos, na maioria haitianos – correram pela paz: elas largaram às 8h30 da Place d’Italie, na base do porto, vestidos com a camiseta feita especialmente para a corrida, e percorreram várias ruas de Porto Príncipe, completando o trajeto em Kay Nou. Todos os participantes saíram da corrida com uma medalha no peito. Todos eram verdadeiros campeões, já que muitos afirmaram que nunca tinham corrida na vida ou que não corriam há muito tempo. A corrida foi tão atrativa que muitos não-inscritos ainda se juntaram aos corredores no meio da prova - principalmente crianças.

Já em Kay Nou, durante toda a manhã, 150 crianças de oito a 15 anos puderam praticar futebol, judô, vôlei, capoeira, atletismo, ginástica olímpica e outras atividades em oficinas coordenadas pelo Viva Rio. Atletas brasileiros consagrados em diferentes modalidades desembarcaram no Haiti para promover e estimular a prática esportiva no país.

danca_jornada_esportes_hait.jpgNas oficinas e em palestras, o jogador de vôlei Nalbert, os velocistas Sandro Viana e Claudinei Quirino, o nadador Luiz Lima, o piloto da stock car Antonio Pizzonia, o lutador de vale-tudo José Aldo, a ginasta Dayane Camillo e o triatleta Nilo Arêas contaram suas experiências de sucesso no esporte para os haitianos.

Para muitos haitianos que participaram do evento, a Jornada foi um momento esportivo de reencontros e regido por um espírito de paz. Os que assistiram à Jornada se mostraram curiosos e até espantados, mas a apoiaram com entusiasmo.

A Jornada foi coordenada pelo 2º Batalhão Brasileiro da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah), o Brabatt 2, mas a embaixada do Brasil no Haiti, o Contingente Brasileiro de Força de Paz no Haiti (Contbras), a Prefeitura de Manaus, no Amazonas, o Viva Rio e a OAS Construtora ainda se articularam para tornar possível a realização do evento esportivo.

A jornada teve também o objetivo buscar parcerias e apoio da comunidade internacional para projetos esportivos que venham a ser lançados no Haiti além de funcionar como ferramenta de integração com a comunidade local. Entre as autoridades presentes estavam o embaixador Edmond Mulet, representante especial do secretário-geral da ONU no Haiti; o embaixador do Brasil no Haiti, Igor Kipman; e o general-de-brigada Carlos Mezzano, comandante da Minustah.

Uma apresentação inédita de música e dança embalou o encerramento das atividades esportivas e a chegada da corrida. O conjunto Brabadum, formado pela banda dos militares do Brabatt 2 e pelo grupo de dança do Viva Rio, se apresentou em Kay Nou e divertiu quem estava presente.

Fotos: Oscar Emerson

Comentários

Esporte pela Paz no Haiti

Eu, como integrante do 2º Batalhão de Infantaria de Força de Paz, estive presente à Jornada Haitiana do Esporte pela Paz. Realmente foi um dia fantástico onde pudemos ver o sorriso no rosto dos Haitianos. O esporte é realmente uma ferramenta extraordinária capaz de resgatar a dignidade de um povo tão sofrido. Parabéns a todos os envolvidos... Parabéns Brasil... Tudo pela Paz!
1º Sgt Rafael

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