Projeto retira jovens da vulnerabilidade social
Texto produzido pela parceria portal Comunidade Segura e Fórum Brasileiro de Segurança Pública
Educação, oportunidade e responsabilização são os três pilares do Programa Rede Cidadã, em Cuiabá, no Mato Grosso, desenvolvido pelo governo do estado, e que tem o objetivo de retirar crianças e adolescentes da vulnerabilidade social e desenvolver um trabalho voltado para a segurança humana. O programa está sendo implementado em sete bases de Polícia Comunitária e realiza ações de esporte, lazer e cultura para 754 crianças e adolescentes, além de atividades de capacitação e cursos profissionalizantes para pais e familiares.
Direcionado para crianças e adolescentes que apresentam problemas de comportamento, relacionamento, dificuldades de aprendizagem, uso de drogas, entre outros, o Rede Cidadã foi criado em 2005 pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) em parceria com a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp).
A equipe de coordenação do Rede Cidadã é composta por duas assistentes sociais, duas psicólogas, três pedagogas e cinco policiais militares. As crianças e adolescentes que participam do programa são encaminhadas pelas escolas municipais e estaduais, Conselho Tutelar, Delegacia Especializada dos Direitos da Criança e do Adolescente (Dedica) e Delegacia Especializada do Adolescente (Deia).
Identificada a criança que irá participar do programa, a equipe visita a família e oferece uma série de atividades esportivas e culturais para os jovens. A coordenadora geral do Rede Cidadã, a tenente-coronel da Polícia Militar, Zozima Dias dos Santos Sales, explica que o programa é voltado para essa faixa etária por ser o grupo mais vulnerável socialmente e principal vítima e autor de violências.
"O foco do Rede Cidadã é a segurança humana. Nós queremos fazer com que esses jovens tenham um projeto de vida. Tentamos conscientizá-los dos perigos das drogas e tentamos retirar a demanda do uso", diz Zózima Sales. Segundo a tenente-coronel, ainda não existem dados consolidados sobre os jovens que abandonaram o uso de entorpecentes após a participação no programa.
Adesão voluntária
Na Base Comunitária do Ribeirão do Lipa as crianças e adolescentes participam voluntariamente das atividades do Rede Cidadã. A base foi inaugurada em 2007 e atende a 16 bairros e dois distritos.
"Os jovens que participam é porque querem e gostam. Com o programa pudemos tirar as crianças que andavam pelas ruas, da violência e das drogas. Com isso, levam consigo uma imagem positiva da polícia para seus lares", diz o comandante da base, o major da PM, Arlindo Marques de Souza.
A adolescente Tamires Spindola, de 11 anos, é um exemplo de criança que se interessou em participar do Rede Cidadã. A mãe, Estela Maris Spindola, conta que foi a filha que a procurou para dizer que queria participar das aulas de coral na base comunitária. A menina tinha que atravessar sozinha o bairro a pé para ir até as aulas. Para evitar preocupações, os pais decidiram morar mais perto da base comunitária e agora ela vai para as aulas na companhia de colegas.
"Eu não tenho condições financeiras de pagar cursos para meus filhos. Eu saía para trabalhar e deixava os dois em casa, por isso é importante eles terem algo para fazer. O menino de seis anos faz hip hop de manhã na escola, e ela (Tamires) faz aulas de coral. Antes das aulas, a Tamires era muito arteira e brigava bastante, agora está mais calma e acessível para conversar", conta Estela.
A educadora musical Katia Mendes afirma que as aulas de canto, flauta e violão são um meio para se trabalhar as questões sociais, éticas e morais com os alunos. "Aqui os alunos são bem tranqüilos, obedientes e menos rebeldes. Eles vêm porque querem aprender, enquanto nas outras bases eles vão porque são encaminhados, e só depois começam a gostar", diz a professora.
Anjo-da-guarda
O major Arlindo Marques (foto) afirma que a polícia é considerada o anjo da guarda da comunidade. "É como se fôssemos os solucionadores dos problemas. Na ausência dos outros setores do Estado, a Polícia Militar tenta solucionar. Eu já atendi briga de marido e mulher; filhos que não obedecem; mães que não conseguem matricular filhos na escola, entre outras coisas", desabafa o major.
Segundo Marques, a escolha da criação da unidade de Ribeirão do Lipa se deve ao alto índice de criminalidade na comunidade. "Com chegada da unidade conseguimos reduzir os índices de criminalidade. Só neste ano fechamos seis bocas de fumo. Aqui os jovens utilizam a droga como meio de vida", afirma o major.
O trabalho com jovens nas comunidades de Cuiabá começou em 1997. Segundo a tenente-coronel Zózima Dias, ela mesma realizava atividades com os adolescentes usuários de droga que moravam nas ruas do centro da capital. Ela conta que o trabalho dentro da polícia só começou em 2004 quando foi assinado o convênio com a Senasp. No ano seguinte, foi criado o protocolo de cooperação com as secretarias de estado de governo.
"De 2005 para cá não paramos mais. A cada dia atendemos mais crianças e a previsão é estender esse programa para as cidades de Várzea Grande e Rondonópolis. Agora estamos elaborando um projeto para que o Rede Cidadã se torne uma política de gestão dentro da Secretaria de Justiça e Segurança Pública", afirma a tente-coronel.








Comentários
Programa Rede Cidadã
Esse é o programa da Cel. Zózima.
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