Campanha de desarmamento será permanente
Foi dada a largada para a Campanha Nacional de Entrega Voluntária de Armas e Munições (Cevam). Nos dias 25 e 26 de março, o Ministério da Justiça, em parceria com a Rede Desarma Brasil, o Viva Comunidade e a Polícia Federal, iniciou uma Caravana Nacional pelo Desarmamento que vai percorrer várias capitais do país para a organização da campanha. O pontapé inicial foi em Vitória do no Espírito Santo.
A partir deste ano, a campanha terá caráter permanente e será realizada sempre no mês de julho. Segundo Antonio Rangel Bandeira, que faz parte da Coordenação Nacional da Cevam, o objetivo da caravana é mobilizar as lideranças e a população locais e formar comitês pelo desarmamento, que ficarão responsáveis pela organização da campanha em cada estado e pela preparação e abertura de postos para recebimento voluntário de armas e munições.
Durante o lançamento do Fórum Capixaba pelo Desarmamento - comitê de desarmamento do Espírito Santo -, o secretário de Segurança e Defesa Social do estado, Henrique Herkenhoff, afirmou que o governo está comprometido com o desarmamento voluntário e com a apreenção de armas ilegais, e que dará todo apoio e estrutura para implementar a campanha.
No evento de Vitória, os coordenadores nacionais da Cevam fizeram exposições sobre a campanha, como implementá-la, sua importância para a redução de homicídios no Brasil, necessidade de abrir postos em igrejas, maçonaria, organizações da sociedade civil, Guarda Municipal.
Segundo Antonio Rangel Bandeira (foto) e Almir Laureano – que também é da Coordenação Nacional -, o Espírito Santo foi escolhido para dar início à caravana por ser um dos estados com os mais altos índices de violência armada do país.e em que as autoridades de segurança pública têm trabalhado em sintonia com a sociedade civil organizada para enfrentar a questão.
Durante o lançamento estavam presentes representantes da prefeitura de Vitória, da Polícia Federal, da Secretaria de Segurança Urbana de Vitória, da Polícia Rodoviária Federal, da Polícia Militar, da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e das organizações da sociedade civil Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH-ES) e ES Unido contra o Crime. Estiveram presentes, ainda, representantes dos municípios de Cariacica, Cachoeiro, Serra e membros da Rede Desarma Brasil.
Após a cerimônia oficial de lançamento da Cevam, foi realizado o seminário “Desarmamento como Política de Segurança Pública”, organizado pela Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Vitória em parceria com a Pastoral da Juventude.
A próxima cidade a receber a Caravana Nacional pelo Desarmamento será Londrina, no Paraná. No dia 6 de abril, será realizado um debate aberto para toda a comunidade sobre o tema. Antônio Rangel vai coordenar a discussão cujo objetivo é atrair a sociedade civil para a reativação do Comitê Londrinense para o Desarmamento, criado em 2004. Em Londrina, participam do comitê o Movimento pela Paz e Não Violência e o Conselho Municipal de Cultura de Paz (Compaz).
A Campanha Nacional de Desarmamento, que aconteceu entre julho de 2004 e outubro de 2005, recolheu cerca de 500 mil armas de fogo. Segundo o relatório "Vidas poupadas – O Impacto do Desarmamento no Brasil", da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), a diminuição do número de armas em circulação no Brasil depois da campanha fez com que mais de cinco mil vidas fossem poupadas.
O número corresponde a uma redução de 15,2% no número de mortes por armas de fogo em 2004 em relação ao ano anterior. O relatório foi feito a partir de análise dos dados da pesquisa "Impacto da campanha do desarmamento no índice nacional de mortalidade por arma de fogo", do Ministério da Saúde.
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