Água para todos e perto de todos
Localizado no centro de Porto Príncipe, o bairro de Bel-Air sofre com a deficiência de serviços sociais básicos – e a água é um deles. A água é tão escassa na região que, conforme apontou um estudo realizado pelo Viva Rio em junho de 2007, ali a água é vendida por um valor sete vezes maior do que em países da Europa. Daí nasceu o projeto “Dlo Fanm Sante” (expressão que, em crioulo, quer dizer “Água, Mulheres e Saúde”), que se tornou ainda mais importante hoje, depois do terremoto que sacudiu a capital do Haiti.
A iniciativa consiste, num primeiro momento, em colocar a água potável à disposição de toda a população de Bel-Air, reduzindo, assim, os riscos de contaminação e de doenças causadas pela utilização de água não tratada. O projeto visa ainda a diminuir o preço da água na região. A tecnologia usada é tão simples quanto eficiente: após ser captada das chuvas nas lajes de escolas da região, a água é tratada com cloro e filtrada com carbono, para depois ser distribuída gratuitamente às crianças, principais beneficiadas com o projeto.
Mais de 20 locais de captação fornecem água potável para cerca de 22 mil estudantes. A iniciativa diminuiu as queixas de dores abdominais, que eram frequentes entre as crianças. É o que afirma a enfermeira Dilène Jourdain, da escola Exército da Saúde, de Delmas 2. “Logo que cheguei aqui, registrávamos muitos casos de febre, mas aos poucos esses casos diminuíram bastante”, alegra-se.
Desabrigados pelo terremoto multiplicam a demanda
Algumas centrais de tratamento oferecem também água aos habitantes das vizinhanças e muitas outras bases de captação e tratamento estão sendo construídas em outras escolas do bairro. As bases são administradas por comitês de gestão formados pelos próprios alunos – o que estimula o desenvolvimento do senso de liderança entre os jovens, aprimorando, assim, seu papel de cidadãos ativos na comunidade e contribuindo para mudanças positivas no bairro.
Além do foco nas escolas, o projeto também inclui a construção de quiosques públicos onde a população pode obter água a um preço muito inferior ao cobrado hoje. “A melhora é visível, pois os habitantes não precisam mais percorrer uma longa distância para encontrar água. Eles a encontram muito perto de suas casas e a um preço bastante acessível”, afirma Rochena Seide, responsável por um dos quiosques. Oito deles (Fort Touron, La Saline, Grande Rue, Delmas 2, Mariella, Marinette, Pont Rouge, Wharf Jérémie) já foram construídos e dois outros estão em fase de conclusão.
O terremoto veio dar outro peso às intervenções do Viva Rio em Bel-Air, no que diz respeito à água. Com mais de 30 mil pessoas instaladas em barracas só neste bairro, a necessidade do acesso à água se multiplicou. Com o apoio da Norwegian Church Aid (NCA), antigo parceiro e financiador do projeto “Honra e Paz por Bel-Air”, foram rapidamente instalados mais de 15 pilotanques - reservatórios plásticos móveis com 10 mil litros - nos abrigos atendidos pelo Viva Rio e na própria sede Kay Nou. “Esses reservatórios dão acesso à água a mais de 10 mil refugiados instalados no Parc La Paix, no asilo comunal e no terreno da antiga Companhia de eletricidade (Teleco)”, explica Denis Dubuche, coordenador do projeto.
O papel chave da gestão
Cinco caminhões fazem até seis viagens por dia, abastecendo, em média, de 25 a 30 pontos de acampamentos. Os 12 reservatórios localizados em escolas que não foram afetadas pelo terremoto e que recebiam água de chuva antes da catástrofe, agora são abastecidos pelos caminhões. Existem também sete quiosques que recebem água no interior das comunidades de Bel-Air.
Vivendo em barracas, os refugiados do Parc la Paix recebem uma quantidade racionada de água diariamente. “Nós recebemos essa água regularmente, mas precisamos de mais. Precisamos de comida para nossas crianças e a ajuda humanitária é rara aqui em Bel-Air”, confessa Edouard Sainvil, que vive com seus cinco filhos no terreno que era da Teleco.
Paralelamente à construção das bases de captação de água da chuva e dos quiosques públicos, alimentados pelo caminhão da organização, o Viva Rio está engajado também em uma parceria com a Central Autônoma Metropolitana de Água Potável (Camep), para ampliar a capacidade de alimentação do reservatório Nord Alexis, que hoje dispõe de capacidade de 508 mil galões (um galão corresponde a 3,7 litros). As obras já começaram e, em breve, este reservatório será abastecido pelo menos três vezes por semana.
Embora existam esforços concretos voltados para o programa, ainda não há garantia de que o problema vá ser resolvido completamente. A preocupação existe porque a instalação dessa tecnologia é diferente de sua gestão. Por isso, é necessário reativar os comitês de gestão, capazes de assegurar a continuidade dos investimentos. A hora agora é de reconstrução e o Viva Rio pretende continuar com a construção de mais locais de captação de água da chuva e consertar os locais que foram destruídos pelo terremoto.








Comentários
Saúde Publica
A agua não é o único problema, o que precisa de ainda mais atenção são os hospitais publicos, que com o almento de pacientes tem se tornados super-lotados. O indice de pessoas que passaram da meia idade e estão obtendo Osteoporose cresceu 90& nos ultimos tempos, e o governo não possui profissionais qualificados para atender esta grande demanda.
Concordo com o comentário
Concordo com o comentário acima. É preciso mais que uma construção civil para ajudar essa população .
O governo tem que olhar com mais atenção a problemas básicos como saúde e alimentação.
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