Sábado e domingo na escola!

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Ao contrário do que acontece na maior parte do mundo, muitas escolas da Guatemala não fecham suas portas aos sábados e domingos. O toque do sinal que marca o fim da jornada estudantil da semana sinaliza também o início de um fim de semana cheio de atividades e aprendizado nas 206 Escolas Abertas, espalhadas em 14 departamento do país.

Em vez de aulas de biologia, matemática e espanhol, são oferecidas oficinas de dança, pintura, bordados, xadrez, artesanato e cultura maia, entre outras. Os pátios e quadras usadas de segunda à sexta para o recreio se tornam espaço de treinamento de esportes e palco para festivais e festas de bairro.

Esta é uma das maneiras que os guatemaltecos encontraram para abrir espaços de inclusão social em áreas urbanas prejudicadas pela precariedade de infraestrutura, pela escassez de serviços públicos, pela violência, desemprego e pela falta de oportunidades para que os jovens façam algo produtivo com seu tempo livre.

Claudio.jpgClaudio Magnífico (foto), diretor do programa, explica que, a cada fim de semana, 200 mil crianças e jovens - além de um número variável de adultos - fazem algo diferente e positivo nestes lugares. "Tudo que fazem neste tempo lhes permite, muitas vezes, descobrir seus talentos e do que são capazes, reencontrar-se com eles mesmos e transformar o ócio em tempo produtivo. Conseguir fazer com que a população invista em seus fins de semana e continue aprendendo é o desafio pelo qual lutamos dia após dia. E estamos conseguindo", conta Magnífico.

O bairro vai à escola

As Escolas Abertas se inspiraram em um programa existente no Brasil desde 2000, mas foram totalmente adaptadas às demandas e características culturais da Guatemala. Além destes dois países, Chile e Argentina são os únicos na América Latina que também implantaram o programa.

O objetivo das Escolas Abertas vai além de simplesmente preencher o tempo livre das crianças, adolescentes e adultos de bairros do subúrbio, ainda que isto seja importante para tirá-los das ruas e prevenir que entrem para as  pandillas. O que se busca a longo prazo, segundo Magnífico, é a consolidação de valores democráticos, o reforço da auto-estima e a formação de lideranças.

saxofonistas.jpg"A educação se divide em informativa e formativa - e o programa das Escolas Abertas faz parte desta última. O que não se consegue cobrir regularmente nas escolas é o que as Escolas Abertas oferecem, como arte, esportes, abordagem de uma cultura específica. Podemos nos tornar parte do Sistema de Educação Nacional e estamos avançando para isso", explica Magnífico. para ele, existe uma mobilização de instituições da sociedade civil e de organismos internacionais para que as Escolas Abertas sejam uma política de Estado, garantindo sua continuidade.

A maioria das escolas que aprticipam do programa estão localizadas em localidades com altos índices de violência. E é exatamente por isso que as escolas oferecem ferramentas que permitam às crianças e jovens que vivem sob esta influência desenvolver-se integralmente como pessoas e alcançar outras alternativas, que não a pobreza, a violência, a delinquência e a falta de educação e de oportunidades em geral.

Como funciona

As Escolas Abertas são disponíveis para todo mundo: desde crianças até adultos. Em um dia de estudos, podem estar reunidos na mesma escola idosos em uma aula de trabalhos manuais ou de ginástica e crianças aprendendo a jogar xadrez e a pintar.

O programa é totalmente gratuito e ainda oferece almoço para todos os visitantes. Os encarregados de comandar as oficinas são pessoas contratadas para esse fim especificamente e que fazem parte da comunidade local. É assim que a comunidade aprende a usar Internet, organiza bazares, monta peças de teatro e ensaias shows musicais.

"Ainda há os voluntários, que são muito importantes. São pessoas de diferentes idades que apoiam tudo que é realizado nas escolas. São colaboradores que se identificam com o programa e criam uma identidade que fortalece o projeto. Eles e elas são membros da comunidade, parentes dos participantes, etc", explica Magnífico.

Velvet.jpgUma vocação precoce

Uma das pessoas que tem conseguido desenvolver vários talentos nas Escolas Abertas é Velveth Castillo (foto), estudante da Escola Adrián Gaudencio Martínez, da localidade de Boca del Monte, na Cidade da Guatemala. Aos 13 anos, ela não só participa de várias oficinas como também é membro do Conselho Juvenil das Escolas Abertas, que reúne jovens líderes de diferentes comunidades onde se localizam os centros de formação.

Através do Conselho, os jovens têm acesso às ferramentas que lhes permitem participar de forma ativa das decisões que são tomadas em sua comunidade e propõem soluções para os problemas de seus respectivos bairros, além de efetivamente colocá-los em prática.

Velveth descobriu sua vocação graças a estas atividades. "Quando sair da escola, quero ser jornalista", ela afirma, com a convicção e o orgulho de ter começado sua carreira de repórter precoce entrevistando um ilustre personagem: o presidente Lula.

Velveth começou a participar da escola aberta de sua comunidade em 2008. Seus primeiros cursos foram inglês e informática. Depois vieram os de teatro, salsa e comunicação até que seu entusiasmo a levou a fazer parte do Conselho Juvenil. “O Conselho é formado por voluntários. Todo sábado nos reunimos para ver o que podemos fazer pela comunidade. "Estamos tratando de criar jovens líderes, que no fim de semana não fiquem nas ruas e entrem para uma pandilla”, explica. Segundo Claudio magnífico, o objetivo é levar as Escolas Abertas aos sete departamentos da Guatemala onde elas inda não estão presentes. Lugares onde com certeza haverá muitos jovens como Velveth, desejosos de aproveitar seus talentos.

Fotos: Escolas Abertas (cortesia)

 

Em outros sites:

Escuelas Abertas (em espanhol)

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