Fuzileiros navais desviam armas de quartel para o tráfico no Rio de Janeiro

Dez submetralhadoras foram furtadas do Centro de Reparos e Suprimentos Especiais do Corpo de Fuzileiros Navais, quartel de elite da Marinha, que fica na Avenida Brasil. Apesar de a unidade militar ser cercada pelas favelas de Parada de Lucas e Vigário Geral, o crime não teve a participação direta de traficantes. O serviço de inteligência da Marinha já identificou os três fuzileiros navais envolvidos com o desvio das armas. Eles foram presos em casa e levados para a Ilha das Cobras.


Na última sexta-feira, o comando do Centro de Reparos e Suprimentos Especiais do Corpo de Fuzileiros Navais percebeu a falta das submetralhadoras Beretta, MT-12A, 9 mm, de uso exclusivo das Forças Armadas. Os soldados Inácio Vicente da Silveira e Cliff Bruce Moreno Ferreira confessaram o furto. As armas foram encontradas na casa de outro fuzileiro, Sílvio Pimentel da Silva, em Jardim América, bairro próximo ao quartel. Segundo um colega dos três acusados, Inácio e Bruce contaram que furtaram o armamento, mas que se arrependeram:


— Eles contaram que tentaram devolver, mas já era tarde. O Inácio disse que nem tinha comprador para as submetralhadoras.


De acordo com o serviço de inteligência da Marinha, no entanto, as armas seriam vendidas para traficantes. Os investigadores estão tentando descobrir para qual favela as submetralhadoras seriam vendidas. Segundo os agentes, Sílvio confessou que guardou as submetralhadoras em sua casa e levou a polícia até lá. Segundo ele, Inácio o procurou com uma bolsa com as armas e pediu que ele as guardasse. Amigos de Sílvio contam que ele estava em tratamento psiquiátrico por causa das pressões que os fuzileiros navais vêm sofrendo no quartel.


Fuzileiros dizem que quartel virou alvo


Fuzileiros navais que dão serviço no quartel de Parada de Lucas contam que os traficantes atiram com freqüência para dentro da unidade:


— Quando os traficantes entram na mata, há uma instrução para avisarmos dando um tiro para o alto. Mas eles atiram tanto que ninguém vem em nosso socorro.


Os três fuzileiros navais estão presos no presídio da Ilha das Cobras, fortaleza usada na defesa da Baía de Guanabara desde a época da colonização. A prisão chegou a ser cogitada para abrigar o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, em setembro de 2002.


Um outro furto que ainda está sendo investigado mostra a vulnerabilidade nos quartéis das Forças Armadas. Em abril do ano passado, desapareceram 12 granadas do 1º Batalhão de Forças Especiais do Exército, na Vila Militar. Um sargento está sendo investigado pelo crime.


Publicado em: O Globo

10/3/04


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